A COLINA

Autor: Anderson R.

A COLINA

Havia uma casa no alto de uma colina que tinha uma lenda. Todos que habitavam ali por perto evitavam passar nas terras daquela casa. Certo dia, cinco amigos decidiram se aventurar, e viajaram para uma pequena cidade. Chegando lá, fizeram uma parada em uma lanchonete local. Nessa lanchonete conheceram um rapaz, que logo notou que eles não eram dali, ele os falou sobre a lenda, que quem entrasse naquela casa não sairia mais. Todos ficaram assustados, diriam até que sentiram arrepios como nunca haviam sentido, mas entre eles teve um que insistiu em continuar a aventura, já que aquilo tudo não passava de lenda, e como toda lenda, não passava de mais uma mentira que o povo conta, não teria o porquê de não continuar. Os cinco amigos, Lúcio, Wagner, Márcia, Alessandra e Nelma continuaram o percurso. Chegando a casa, tudo estava normal, até a hora de irem dormir.

As luzes da casa estavam todas apagadas e de repente se ouve um ruído. Márcia acorda. De repente vai ficando mais forte, ela levanta da cama e vai até a sala, que é de onde vem o barulho que tanto a incomoda. Escuta passos, grunhidos. Márcia ouve um sussurro em seu ouvido: - o que é isso? -. Sente um arrepio em suas costas, havia alguma coisa atrás dela. O sussurro aumenta. Márcia paralisa. Não consegue se mover. Algo esta lhe segurando. Márcia corre. Sai da casa. Foi a única coisa que conseguiu pensar. Ela entra na floresta: - acabou o barulho, isso é coisa da minha cabeça! – afirma ela. Estava terrivelmente enganada. Quando vê, está a beira de um penhasco. Ela vê o que menos queria: a lenda é verdadeira! E o que estava a seguindo a levava para a escuridão do penhasco.
De manhã, quando todos acordam, não há sinal de Márcia. Ela desapareceu. Lúcio, como sempre corajoso, foi o primeiro a sair para procura- lá. Ele a encontra. Não gosta do que vê. Desespera-se.

Tenta voltar para contar aos outros, mais algo te puxa. Ele consegue se soltar. Olha pra trás, e não vê ninguém. Tomado pelo medo corre para a floresta. Ele se perde. – e agora? O que eu faço?- se pergunta. Ouve sussurros. Olha para todos os lados e não vê ninguém. Os sussurros estão ficando mais próximos. Ele corre o mais rápido que pode. Encontra a casa. – graças a Deus! Estou a salvo! - mas algo o puxa levando-o para dentro da floresta novamente. Ele olha para o que está puxando-o.

Todos estavam preocupados, já estava à noite e Lúcio ainda não havia voltado.
- O que será que aconteceu com eles? – Perguntava Alessandra
- Será que eles estão mortos? – Dizia Wagner com ironia em sua voz.
- E se for? – Dizia uma Nelma bastante assustada.
- Calma gente! Eles podem apenas estar perdidos na floresta.
- Mas se eles não estiverem? O que vamos fazer? Eu vou embora daqui.
- Você não vai embora. Você vai ficar aqui. Vamos procurá-los. Ninguém vai abandonar ninguém, ok? Pare de ser medroso! – Dizia Alessandra tentando não parecer tão autoritária, exigindo coragem de Wagner.
- Eu não sou medroso, só tenho amor a minha vida.
- Vocês vão ficar discutindo ou vão procurá-los?
Wagner propõe para que eles se separem, e voltem para a casa antes das 8 da noite, já que poderia estar acontecendo algo estranho com aquele lugar.
Alessandra esta a procura de Lúcio, de quem ela sempre gostou, desde o tempo de escola, mas nunca houve coragem de contar a ele o seu verdadeiro sentimento.
- E se a lenda for real? E se Lúcio tiver sido morto? – Pensava ela.

Andando pela floresta perdida em seus pensamentos, Alessandra vai entrando mais e mais adentro da floresta. E vê o que Lúcio viu. Era Márcia. Morta. Não acreditou no que estava vendo, se acontecerá aquilo com Márcia, poderia ter acontecido também com Lúcio. Entra em desespero, chora. E os mesmos suspiros que atormentaram Márcia e Lúcio, Alessandra escuta.
Nelma esta aflita, a mais preocupada, a primeira a querer ir embora ao saber da lenda. Nelma vai andando pela floresta e vê algo, é uma carteira, era de Lúcio. – O que aconteceu? – cochicha para si.

Quando ela pega a carteira, uma mancha. Sangue, concluiu ela. Era quase oito da noite, o horário em que eles haviam marcado, era melhor voltar pra casa já que algo estranho estava acontecendo.
Wagner, não encontra nada, até o momento em que esta chegando a casa, e vê pegadas, pegadas com passos longos, que davam pra ver que aquelas pegadas eram de pessoas que estavam correndo. Nelma chega.

- Fica aqui, para se a Alessandra aparecer vocês não ficarem sozinhas, encontrei uma coisa.
Wagner vai observando as pegadas, no meio do caminho e vê um par de luvas, pensou já ter visto aquelas luvas em algum lugar. Pegou as luvas, e continuou a sua busca. Chega ao penhasco, em que Márcia havia caído. Olha para baixo e vê marcas de mãos, como se estivesse lutando para não cair ou como se estivesse lutando para não ser arrastada para algum lugar, já que as marcas das mãos apontavam em várias direções. Segue as últimas pegadas que sobraram. Estavam na ponta do penhasco, a curiosidade fala mais alto e Wagner se deixa levar pelo impulso de querer entender o que estava acontecendo, mas ao chegar ao fundo do penhasco, vê marcas de pneus, e vários pedaços de madeiras, como se tivessem usadas em alguma coisa na noite passada. Na noite em que Márcia sumira.

– O que é aquilo? - Era a jaqueta do Lúcio, completamente rasgada e ensanguentada.
Wagner junta as pistas e as leva com ele. Chegando a casa, Alessandra não havia aparecido e Nelma havia sumido, deixando apenas a carteira que havia achado e uma frase: “NEM TUDO É O QUE PARECE”…
- Mas afinal o que está acontecendo? - Wagner ouve passos longos, pesados. Suspiros.
Alessandra, com algo nas mãos. Um livro.
- Porque um livro? – Indagava Wagner.
-Temos que sair daqui, devemos sair daqui. – Dizia Alessandra apavorada.
- Calma. – Dizia Wagner. - Vamos entrar. Me conta o que aconteceu.
Mas havia algo de errado com Alessandra, seu olhar havia mudado, sua aparência, sua voz, era de medo, de puro pavor. Era sombrio, distante, cheio de ódio e dor. O que havia acontecido com Alessandra, naquelas horas em que eles teriam se separado para procurarem seus amigos? Onde estaria Nelma? E por que ela havia deixado aquela frase sem nenhum sentido para aquele momento? Ou havia?

Eles ficaram ali a noite toda, ele tentando acalmá-la e ao mesmo tempo pensando no que havia acontecido. Ele tentava juntar as pistas, mais nada parecia ter sentido. Eles pegaram no sono e acordaram no meio da madrugada, assustados, com Nelma correndo, abrindo a porta da sala, desesperada, com medo, sem fôlego, ela dizia muitas coisas, muito rápido, Wagner não entendia nada.
- Eu fiquei aqui, esperando a Alessandra como você pediu. Eu comecei a ouvir barulhos estranhos. Parecia alguém chamando o meu nome. Pensei que era o Lúcio, pois era uma voz de homem. Fui ao encontro da voz, mais não vi ninguém. Alguma coisa começou a sussurrar no meu ouvido, eu me virava, mais não conseguia ver nada. Então algo me puxou. Eu bati com a cabeça e não vi mais nada. Acordei agora. Lúcio estava ao meu lado. Ele estava vivo. Todo ensanguentado. Nós começamos a correr mais algo nos perseguia e puxou ele. Ele ficou pra trás. E agora estou aqui.
- Não viu quem estava atrás de vocês? – Dizia Wagner nervoso.
- Não.
- Eu vi. – Disse Alessandra.
-O que era então?
- Era um homem.
- Vamos dormir. Tentar pelo menos. Nelma, amanhã você nos levará ao local onde encontrou Lúcio.
- Está bem.

Na manhã seguinte, Wagner acorda as meninas com três facas na mão
- É pra nos proteger! - Vão à procura de Lúcio.
Nelma os leva ao local onde ela esteve com Lúcio, mas já não havia nada ali. Desta vez eles não se separam. Andam todos juntos, olhando para todos os lados, prestando atenção em tudo. Eles encontram Lúcio, mas já era tarde demais. As meninas se desesperam. A que mais chora é Alessandra e ali mesmo declara seu amor, debruçada no corpo de Lúcio.
- Sobreviva... Em nome dele. Vamos embora daqui. – Pediu Wagner. Os três começam a correr.
- E as nossas coisas? – Perguntou Nelma
- Isso não importa agora. O que importa é sairmos com vida daqui, tudo o que nós trouxemos nós podemos comprar de novo, mas a nossa vida não tem preço!
- Vamos sobreviver em nome de nossos amigos. – Alessandra repetia isso como um mantra.

Eles continuam correndo, mas ouvem passos.
- Ele está atrás de nós! – Gritava Alessandra.
- Corram mais rápido. – Dizia Wagner deixando-as para trás.
Eles correm o mais rápido que podem. Mas quando Wagner olha pra trás vê que quem está os seguindo é o mesmo rapaz que os falou sobre a lenda na lanchonete. Wagner para. Olha para ele ferozmente. As meninas param logo em seguida e veem o rapaz também. Wagner parte pra cima do rapaz com sua faca. O rapaz automaticamente tira uma arma de sua cintura e aponta para Wagner que para na mesma hora.
- Eu gostaria muito de saber o nome daquele que matou meus amigos e daquele que vou matar também.
- Júnior. Mais quem vai matar alguém aqui sou eu.
- Mas por que isso?
- Porque é minha diversão.
- Você mata as pessoas por diversão?
Wagner, tomado pelo ódio, vai pra cima de júnior com toda a força que lhe resta. Júnior atira em Wagner que cai no chão. As meninas se desesperam e correm para ver se o amigo está bem.
- Agora chegou a vez de vocês. – Dizia Junior com a loucura estampada em seu rosto.

Elas se levantam e tentam correr, mas júnior atira na perna de Alessandra que cai com a dor. Nelma volta pra ajudar a amiga, mas Alessandra pede desesperada pra ela continuar e se salvar. Ela corre, e quando Júnior vai começar a correr, Wagner o segura pela perna e enfia a faca em sua coxa. Júnior cai e sua arma vai parar perto de Alessandra que pega a arma e atira em júnior. Wagner consegue se levantar e ajuda sua amiga Alessandra. Ela olha para Júnior e não vê sangue algum.
Wagner, Alessandra e Nelma, vão embora de volta para a casa achando que tudo havia terminado, mas ao chegarem na casa viram algo impossível, pelo menos para eles. Era Lúcio, estava vivo, ou era apenas uma miragem? Sim, era Lúcio, estava vivo, e estava bem. Wagner desconfia, não entende nada, Alessandra fica feliz em vê-lo daquele jeito, em ótimo estado, e sai correndo para dar um abraço nele, abraça-o. Ele sorri, depois a empurra, Alessandra cai, Wagner se irrita, estava juntando os fatos. Alessandra não entende o porquê dele tê-la empurrado.
- Por que fez isso?
- O por quê? Vou lhes contar o porque. Esse é o meu hobby, meu prazer, me sinto bem, e vocês são as minhas presas, aqui foi uma brincadeira de caça. Viajei a cidade pois já não tinha com quem brincar nessa cidade, estava afim de novas aventuras, e decidi viajar para a sua cidade, com a intenção de fazer amigos, e trazê-los pra cá, para me divertir, e consegui.
- Eu não consigo entender. Por que a gente? O que nós fizemos a você? – Wagner era uma mistura de medo e raiva, era assim que ele funcionava e não era agora que funcionaria diferente.
- Não me interrompa! – Disse Lúcio aos berros. - Não gosto de ser interrompido quando falo. – Lúcio, que tinha um rabo de cavalo, mas no momento estava com o cabelo solto, jogou o cabelo para trás. - Mas respondendo a sua pergunta, vocês são o tipo de pessoas que mais amo brincar. Márcia, uma mimada que gosta tudo do jeito dela. Nelma, uma nerd que se diz capaz de tudo, se acha melhor até mesmo que Márcia, a mais popular da escola. Alessandra, ingênua, cai fácil nas mãos de qualquer conquistador barato, a mais fácil de todas a conseguir trazer pra cá. E como toda turma de amigos, tem que existir o cabeça, mas o cabeça que nunca é ouvido, e esse cabeça é você Wagner. E eu apenas um calouro, que mudou de uma cidadezinha longe de sua cidade apenas para estudar, e que tem dificuldade em conseguir novos amigos. Antes que me perguntem vou falar o porque que escolhi a escola. Lugar onde tem mais tipos de gente que mais amo brincar, fui a procura de opções de brinquedos, e vocês foram os que mais admirei, e pensei pra mim mesmo “ SÃO ELES”. Mas para uma coisa ser perfeita, tinha que ter um cúmplice, uma segunda pessoa por trás de tudo isso. Vocês devem conhecer Júnior, certo ?

Lúcio olha para trás deles e Wagner segue o olhar de Lúcio, era Júnior atrás deles, e ele estava lá a um certo tempo, observando, talvez esperando um comando de ataque de Lúcio, pois todo caçador precisava de um bom cão que fique sempre em posição de ataque sempre que precisar, que sempre esteja lá. Júnior sempre aguardando a ordem de seu dono.
- Seu desgraçado, como você pôde fazer isso? Mas e o livro? O que ele significa? – Wagner tinha esperança de Lúcio estar fazendo algum tipo de brincadeira.
- Vocês nem sequer abriram o livro. Lembra a frase “NEM TUDO É O QUE PARECE”?
- Sim, foi a frase que a Nelma deixou quando sumiu. Por quê?
- Deixarei ela responder...
Nelma se afasta de Wagner e Alessandra e vai para o lado de Lúcio.
- Eu nunca estive do lado de vocês. Sempre soube de Lúcio, e estava cansada. Cansada da Alessandra viver chorando no meu ouvido que amava o Lúcio, e que ela nem sabia, mas eu estava com o Lúcio, e que eu queria me aventurar, ter mais prazer, e fiz tudo isso juntamente com Lúcio para pegar principalmente Alessandra, e consegui.
Ouve-se um tiro... era Júnior, ele atirou em Nelma a mando de Lúcio.
- Como falei, toda turma tem os que querem ser mais que os outros. E esses são um dos tipos que mais amo brincar, pois eles sempre se aliam a mim e morrem no final.
- Chega, pare com isso, deixe-nos em paz, deixe-nos ir... – Dizia Alessandra, agora chorando.
- Sim minha querida vá, mas só você, quero conversar um pouco mais com Wagner...

Alessandra acreditando nas palavras de Lúcio vai andando e Júnior olha para Lúcio. Lúcio faz um sinal.
Ouve-se mais um tiro...
Júnior cai. Alessandra havia atirado nele e olha para Lúcio, mas automaticamente Lúcio aponta uma arma para Alessandra
- Parabéns, a ingênua não é tão ingênua assim. E além disso, você fez um favor pra mim, já ia acabar com ele mesmo. Ele sabia demais, não confiava muito nele. - Lúcio atira em Alessandra. – Agora só falta você Wagner.
Wagner se abaixa para pegar a arma que estava na mão de Alessandra, mas Lúcio atira em seu braço.
- Você não é tão inteligente quanto pensei. Não achou que eu esperaria você pegar a arma, achou?
Wagner decepcionado, não consegue falar nada e cai no chão. Lúcio anda em sua direção e dá mais um tiro em Wagner, acerta o seu outro braço, e começa a seção de tortura. Pisa em seus braços, chutes, ponta pés.
- Como sempre, venci, por isso amo esse jogo a única coisa que sou bom e ninguém consegue me superar! – Ouve um tiro, Lúcio cai.
Alessandra, deu mais um tiro nele, ela consegue se levantar. Olha pra Lúcio.
- Parece que você está errado. Olha o que a ingênua fez! – Descarrega a arma em Lúcio.
Alessandra vai ajudar Wagner, mas ele havia perdido muito sangue e não resistiu aos ferimentos. Somente Alessandra havia sobrevivido.
Mas...

“NEM TUDO É O QUE PARECE!”

Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
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