Eu perdida

Dormia em um sono pesado e nos meus pesadelos apareciam os relances daquela traição. Aquele fantasma que me perseguia e se escondia nas curvas da minha vida. Meu céu se desintegrava e meus olhos se perdiam tentando lembrar dos seus.
Eu seguia o destino sem mim. Era somente uma caixa de ossos andando por aí, acompanhando o que a vida havia traçado. Eu era tudo o que não tinha mais, perdendo tudo aquilo que me fazia feliz.
Nada me fazia muito sentido. Meus dias e noites se passavam chorando na escuridão de uma louca e existente solidão. Uma solidão que me corroía. Não entendia o porquê ficava tão incomodada com os sentimentos que me cercavam. Ou a falta deles... Deixava-me levar pela perdição de uma rua infinita e escura.
Todos tinham certeza das minhas dores quando eu falava. Era a mais pura melancolia expressada em palavras. E o meu pedido a Deus para que me levasse desse mundo tão raso era só um lapso de confusão antes do primeiro copo de uísque do dia.
Depois, passava as restantes horas afogando-me naquela dose. Com um copo pequeno comparado com a minha dor. O álcool se fazia par do meu sofrimento e dançava pelo meu corpo. Até eu adormecer...
E esse ciclo se repetia desesperadamente, acordava ainda com o cheiro de bebida impregnado no cabelo e ia tomar um banho. A água fria perfurava-me o corpo e escorria pro ralo junto com as minhas lágrimas.
Vestia-me, acendia um cigarro e escrevia sobre tudo aquilo que me perseguia. Nasci pra vomitar palavras em um papel depois de tanto sofrer.

Bruna Beatrice Manhães

Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
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