Bullying

Tema da Semana: Bullying

Autor: Anderson R.

"Os olhares não param. O que será que eles pensam ao olhar para mim?"


Essa é a mente perturbada que foi concebida a Paulo por ter sido jogado à margem dos lugares que frequentava, não era bonito como tinha que ser, não tinha um belo sorriso, não tinha nada daquilo que a sociedade impôs, no sentido "a beleza como deve ser!".

Hoje, 9 depois de tudo o que aconteceu, o início dos risos, o início dos cortes, o início do álcool, o surgimento dos demônios que vieram para ficar ao lado dele, Paulo vive se escondendo por trás de máscaras, a forma mais démodé de esconder a dor, esconder todo o sofrimento que lhe foi causado. Na escola, era excluído, não por vontade própria, mas por não se encaixar no que ali diziam ser o certo, e por não estar no certo da coisa, era perseguido, ninguém queria ser seu amigo, era usado, para depois abusarem do seu bom coração. Abria o caderno, apelidos, andava pela escola, as pessoas o olhavam com nojo, ele via isso nos olhares, logo ele passou a achar todos a sua volta olhavam ele, e ao olhar, riam dele. Passou a ter medo de gente, passou a se odiar. 
Os cortes aumentaram, mas não era isso que doía, e sim, a dor que foi imposta, a dor de ser o menino feio, gordinho. A dor de não aceitarem como ele era. 9 anos se passaram desde que tudo começou, 9 anos se passaram desde que o inferno veio e ficou em sua vida. As máscaras já não lhe serviam mais, a dor o maltratava demais. Estava odiando viver, odiava a si mesmo.
O peso das palavras ainda estão nele, e nesse momento, ele pensa no que viveu até ali, tudo o que fizeram, às vezes que o jogaram em todas de pessoas e todos riram dele. As pessoas eram cruéis, e ainda são. Paulo está ali, na beirada do vigésimo andar, pensando em tudo o que lhe fizer, a dor que lhe causaram e que sente até hoje. Queria se libertar, queria viver livre da dor, da mágoa. Queria voltar para o útero da mãe, aonde o lado feio da vida não atinge. Aonde perdura apenas o conforto, a calma. Tem saudade dos tempos em que era feliz, mas infelizmente não consegui lembrar quando sorriu verdadeiramente, a última vez que se sentiu bem com tudo e todos, não se lembrava sequer, de alguém que se pôs a ajudá-lo. Estava sozinho, e a única companhia que tinha, era a solidão, a lembrança e marcas de um passado doloroso, e que agora iria embora, a fulga viria, e traria consigo o alívio. Na beirada, viu que o que faria era um mal necessário. Era hora de partir, e ser feliz em um lugar longe dali. Tinha algumas pessoas lá em baixo.

-Adeus, papai, adeus mamãe, é hora de partir, voar para outros ares. Me perdoem, mas eu fui forte da minha maneira. Perdi a coragem de viver, mas estou indo para minha paz. Já fui esquecido na memória daqueles que me feriram, mas prefiro morrer do que ser esquecido na memória daqueles que amo. Amo vocês. Até logo!

Paulo pulou, colocando ali, um fim para tudo o que passará, tudo o que estava passando por conta de tanta dor. Paulo era um jovem de 19 anos, que sofria por ser um jovem diferente dos outros, não respeitaram sua individualidade como ele respeitava as das outras pessoas. Paulo era perseguido por ser um jovem afeminado, mas que nunca soube ao certo se gostava disso ou daquilo, para ele, o mais importante era ser feliz, e isso tiraram dele a partir do momento em que bateram nele, invadiram sua paz. Paulo agora dorme um sono tranquilo, em um mundo só seu. Paulo voou para longe de toda a hipocrisia terrestre. De alguma forma, Paulo venceu!

Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
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