A MANSÃO DO DIABO PARTE 1
O ESPELHO

Anderson R.


A família Blach acaba de chegar na nova casa, Alfred e sua esposa Clara haviam decidido essa casa depois quatro meses de procura, eles precisavam de uma casa maior já que seu segundo filho estava a caminho.
Clarisse era a filha mais velha, tinha nove anos e era uma menina linda, a felicidade tomava conta de onde quer que fosse. Clarisse aos olhos dos pais, era perfeita, mas para a família de Clara era uma aberração, pelo simples fato de Clarisse ter síndrome de down, e isso incomodava a família de linhagem perfeita, eram decendentes de Noruegueses, e com certeza a crianã havia puxado o lado do pai. A mãe de Clara não aceitava a relação de Alfred com sua filha, e há quem diga que ela era uma poderosa bruxa e que fez algo para que a neta nascesse com algo diferente. Ronda, mãe de Clara detestava aquele homen, e detestava ainda mais a neta.





Tudo ia bem na casa dos Blach, Clarisse amava a casa, e isso era um bom sinal levando em consideração que ela não gostava muito de vários lugares. Clarisse passou a conversar mais com seus pais, conversava com o irmão que estava no ventre de sua mãe, e os pais amavam isso, amavam a nova Clarisse, talvez tirá-la de perto principalmente da mãe louca de Clara, pensara Alfred.
Alfred era nomeado por ele mesmo como um excelente advogado, estava sempre em programas, tinha um programa para ajudar as pessoas com vários casoso, seria realmenteum ótimo advogado se não fosse um corrupto filho da mãe. Clara era uma dentista que tinha como sonho ter seu próprio consultório, mas ao conhecer Alfred, deixara esse sonho de lado, e se dedicara apenas à família. Clarisse estava em seu quarto quando seus pais ouviram um grito vindo do andar de cima, Alfred correu para o andar de cima, pediu para que Clara ficasse quieta. Clarisse deveria ter se machucado e talvez fosse grave pelo grito que dera, assim tinha pensado Alfred.
- Clare, o que houve, meu amor? – Disse Alfred ao abrir a porta e vê-la no canto do quarto, pálida, os olhos negros distantes.
- Pa-paê, o monstro vai pegar mama, e v-ocê. – Disse uma criança realmente assustada, já que ela falava perfeitamente bem.
- Que monstro, Clare?
- O que houve Alfred? Clare? – Disse uma voz trêmula e mais nervosa ao ver o estado da filha.
- Nada, Clara, volte para a sala, eu cuido da Clare. – disse Alfred um pouco rude, tentando não mostrar autoridade na voz, mas nada feito, era autoritário e ele realmente estava mandando.
- Mama. – disse uma menina chorosa, parecia ter visto um fantasma, assim pensara Clara.
- O que houve, Clarisse? – a tranquilidade em sua voz não enganara nem ela mesma.
- O monstro vai pegar você, papa e eu. Quero ir embora daqui! – Os pais se olharam, era como se transmitissem o mesmo pensamento, ‘como assim ela queria ir embora?’.
Levaram Clarisse para dormir com eles, depois de certo tempo conseguiram acalmá-la, Clarisse realmente estava assustada, ela era uma criança com uma imaginação forte, e com certeza dessa vez não era diferente.
- Alfred, o que será que ela viu? Deveríamos tirá-la daqui?
- Sabemos que ela é uma criança de imagina muita coisa, e puxou isso de você. – Disse sem se importar, e ele estava decidido a não fazer caprichos de nenhuma delas
- Alfred, você nos ama? Ou melhor, ama a Clare? Porque a mim você já deixou de amar há tempos. – as lágrimas rolavam no rosto de Clara, Alfred tocou-lhe o rosto de uma forma que há muito tempo não acontecia, desde o dia em lhe contou estar grávida, eles não tinham contato de marido e mulher.
- Clara, eu amo vocês mais que a mim, só tenho andado cansado, o trabalho tem me tomado as forças e me tornou um homem ausente com você. Na verdade com vocês três. – falou tocando a barriga de Clara. Na sua fala tinha alguma verdade, mas nem tudo, Alfred estava trasando com a secretária do escritório, uma mulher linda, não tão linda como Clara, mas ele era homem, ele pensava como a maioria dos homens, e Clara estava grávida, e tinha certeza de que ela não iria querer nada, então que fosse uma da rua. Além de tudo, era advogado, e dos bons, tinha enganado Clara com seu discurso, com toda a certeza.
- Eu te entendo, Al. Te respeito e admiro o que faz por nós. Eu te amo! – Ela também teve que mentir, não sobre amá-lo, mas sobre ter caído na conversa dele, mentir não era o forte dele, apesar da profissão exigir, ou então deveria mesmo saber mentir, mas para outros, mas não para a mulher que estava com ele há doze anos com ele.
- É tarde, não adianta mais ir embora, o monstro vai com a gente para onde formos. – disse Clarisse visivelmente em estado de sono profundo, deveria estar sonhando, e com certeza estaria sonhando.





Clara estava agora com oito meses de gestação, haviam se passado dois meses em que estavam na casa, as coisas com Clarisse iam bem, estava indo para a escola sem reclamar, gostava da professora, dizia até que tinha um namorado, Raul era o nome dele, e que agora entendia como a mama se sentia com o papaê.
Naquela manhã cinzenta e fria, Clara acordara disposta, cisa muito incomum para um dia desses, ainda mais com a barriga daquele tamanho, tentava lembrar se quando esteve grávida de Clare ela tinha uma barriga enorme como essa.
Clara estava arrumando o quarto de Clare quando achou uma pasta com desenhos, e os desenhoseram horriveis, assustadores, tinha algo arrancando o bebê de sua barriga, o pai matando a filha e o filho, depois não era o pai que matava o filho, e como ela sabia quem era quem naquele desenho?depois de se acalmar, ela viu que estava escrito quem eram as pessoas nos desenhos, e deu um sorriso de cato, porém queria entender o porquê daquele desenho. Viu um pano em cima de algo, e Clare havia escolhido aquele quarto por conta daquilo que o lençol tampava.
- Não olhe no espelho! – Dizia um bilhete com a letra de Clare, e como assim não olhar no espelho? Clarisse havia escolhido aquele quarto justamente por causa do espelho.
Clara puxou o lençol que tampava o espelho, enão tinha nada demais, era um espelho como qualquer outro. Deu uma gargalhada de alívio, com certeza Clare estava querendo assustar a mãe, e isso estava dando certo.
- Apens um espelho, Clare. Por que não olhar? – Disse Clara olhando para seu reflexo sorrindo. – BU! – ela havia virado as costas para o espelho e virou de uma vez, estava no fundo se divertindo com as brincadeiras da filha.
Ao chegar na porta do quarto ouviu um barulho, pensou ser de sua cabeça, e ignorou.
Toc-toc-toc.
Antes de fechar a portaouviu de novo, e decidiu olhar o que era, quando olhou para o quarto, não havia nada, apenas a janela aberta, entrou mais uma vez no quarto para fechar a janela, com certeza estava batendo, e parecia que tinha alguém batendo em algo querendo chamá-la a atenção. Era melhor mudar o foco para outra coisa, assistia à televisão, comer, algo que a distraia e dê o horário de Clare chegar. Ao chegar mais uma vez perto da porta, de novo o barulho, mas dessa vez estava mais forte, pareciam murros, e ela olhou, nada além do seu reflexo. Clara se aproximou do espelho, mas seu reflexo manteve a posição de quando ela estava próxima a porta virada para ele. O medo percorreu seu corpo, seu reflexo começou a sorrir, andou em sua direção com a mão erguida, apontou para a barriga, Clara pensou no bebê, olhou para aquela coisa no espelho, aquilo deu um sorriso, um sorriso animal, os dentes tortos e afiados, e o corpo começou a mudar, a barriga começou a doer, o
filho começou a mexer lá dentro, e parecia estar apertando tudo o que estava lá, a dor era enorme, ela podia ver a marca da mão de seu filho, o rosto, parecia que ele queria sair. Aquela coisa dentro do espelho estava sorrindo, com os braços abertos. Clara deu um grito e segurou a barriga como se quisesse proteger o filho, e a coisa deu um grito assustador, e um soco fazendo com que o espelho quebrasse, o tempo pareceu ter parado, aquela coisa ao colocar o pé para fora do espelho já não tinha a mesma aparência, tudo havia mudado, todo o corpo, realmente era um monstro, assim como Clare disse.
- Um demônio, Clara! – Disse aquela voz animalesca cara a cara, e que de certa forma sugou a energia de Clara.
Aquela coisa enfiou a mão dentro da barriga de Clara, puxou com violência a criança que estava lá dentro, jogando-a na parede.
- Eu vou levar sua alma, te trancarei dentro daquele espelho.
Clara tentava dizer algo, mas a gravidade de seu ferimento, a dor, a consequencia de tudo não a deixavam falar.
- Venha, Clara. AGORA! – O grito fez todo o cômodo tremer.
Clara se via dentro do espelho, e via aquele demônio segurar seu corpo, ele olhou para ela, e simplesmente entrou em seu corpo, o ferimento de sua barriga sumiu o bebê estava no canto, e o demônio o pegou e soprou pela boca da criança.
- Veja o meu filho, Clara. – Mostrando diante o espelho aquilo que era para ser na verdade o seu filho.
Clara de dentro do espelho observou aquela coisa tirar o celular de dentro do bolso, o que poderia fazer agora?
- Alô, é da emergência? Estou em Trabalho de parto, estou sozinha em casa, me ajudem. – A voz era a mesma de Clara, e o desespero que colocou na voz por um instante enganou até ela. – Depressa por favor, me ajudem.
De repente a vagina de de Clara deixou vazr um liquido, parecia ser o mesmo liquido que sai quando a bolsa estoura, e aquela coisa que agora estava no corpo de Clara sorria, com o bebê no colo. Aquela coisa abriu um outro buraco na barriga de Clara, e colocou o bebê lá dentro.
- É melhor protegê-lo, não?
- Me solta, deixe-me sair.
Comecaram a bater na porta, a coisa começou a gritar, voltou ao quarto e jogou um lençol no espelho, e pode ouvir a conversa, e quando a levaram para o hospital. Clara estava presa, e sua família estava em perigo, aquele corpo já não era mais seu, e aquela criança já não seria mais o seu filho.

Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
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