Bem vinda ao Inferno | Parte 1

Bem vinda ao Inferno | Parte 1
Lore M.

Hoje o dia estava caprichado, realmente. Até mesmo Mariana olhava para o céu limpo com um sorriso torto.
Sorria entre uma lembrança e outra, alheia ao mundo. Enquanto isso Cristina sentada à mesa olhava para a amiga preocuopada.
- Mas eu ainda não acredito que está apaixonada, fala sério, Mariana. - disse em tom de surpresa, mas na realidade não estava nem um pouco surpresa, afinal essa era Mariana.
- Eu não estou apaixonada. Quantas vezes tenho de repetir? - indagou Mariana, lançando um olhar irritado e afastando-se da janela. - Ele apenas é um cara legal que gosta de mim.
- Que DIZ gostar de você, certo? - Mariana lhe lançou o mesmo olhar. - Mari, eu estou preocupada de verdade. Você o conhece há 3 semanas e já confia como se o conhecesse há uma década. Não vai a esse encontro, por mim, Mari. - Cristina a olhou preocupadamente.
Mariana revidou um olhar despreocupado com o que acabara de ouvir e lhe perguntou ironicamente:
- Vestido azul ou vermelho?
Cristina levantou-se e desapareceu pela porta.
Mariana rio balançando a cabeça, sem imaginar o quanto sua escolha a prejudicaria.
O telefone tocou.
- Oi... tudo ótimo e você?... claro... perfeito... até logo. - suspirou, dando um sorriso largo.
Cristina não havia decidido qual mais bonito, mas escolheria o azul "realçava seus olhos", dizia sua mãe.
Mariana passara um longo tempo vestida e pronta olhando para o relógio. As mãos estavam suadas, garganta seca e constantemente via algo errado no cabelo ou na roupa. Estava ansiosa.
14:54...14:57...15:00!
- Finalmente! - comemorou levantando-se e mais uma vez se olhando ao espelho.
Mariana o esperou por um breve tempo e ao entrar no carro se assustou com sua tamanha beleza. Rafael tinha cabelo loiro,  olhos azuis brilhantes e um sorriso branco perfeito.
- Oi, Mari. - disse abrindo um sorriso largo. A voz dele era calma e suave. - Você está incrível.
Mariana não conseguia falar nada e apenas sorriu, estava corada.
A trilha que faziam ficava distante da cidade e de qualquer lugar da região. Fizeram todo o percurso em um silêncio profundo, já que nas vezes em que Mariana tentava algo ele não respondia. Ela já estava ficando nervosa quando pararam em uma casinha esquisita em meio ao mato.
Olhou para Rafael e notou que não havia mais brilho nos olhos daquele rapaz. O sorriso branco foi substituído por lábios ressequidos e sem expressão. Um medo súbito a invadiu e quis contê-lo.
- A-aonde estamos, Rafa? - gaguejou.
Ele a encarou com uma expressão medonha e um sorriso psicopata.
- Bem vinda ao inferno.
                [...]

Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
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