Depois da nossa briga, caminhei até o quarto, eu estava transtornada, eu só queria ficar sozinha por um tempo, ter um lugar para chorar em paz, encontrar um lugar sem gritos, julgamentos e pressão. Entrei correndo e o quarto estava escuro, a porta bate forte e o barulho ecoou pelo corredor, me assustei, mas estava desnorteada demais para pensar em alguma coisa, provavelmente estava ventando. Um fio de luz invade o quarto pelo filete da janela iluminado um canto da parede, me ajoelhei no chão e chorei, chorei como fosse a última coisa que eu poderia fazer. A solidão sempre me acompanhou, consigo pensar melhor sozinha, mas de alguma forma meus pensamentos estavam bloqueados, a sensação de estar acompanhada me tirava o fôlego, o filete de luz desapareceu, mas na escuridão consegui ver uma sombra, seu semblante tenebroso se impunha sob mim, como se quisesse me controlar, não tive medo, eu tinha certeza que já tinha a visto antes, só não consegui lembrar quem ela era, ela se aproximou, e no silêncio ela me entendia, ela sabia de tudo, mesmo que nenhum de nós tenha pronunciado uma só palavra, eu não conseguia ver seu rosto, mas podia garantir que era ela estava sorrindo, uma voz na minha cabeça dizia que ela ia me ajudar a ficar melhor, talvez ela pudesse realmente, já que eu não estava mais chorando. O filete de luz voltou a iluminar, e a sombra se dirigiu para o canto mais escuro, a luz refletiu num objeto, um objeto prateado, e eu ajoelhada no chão a encarei, ela queria q eu fosse até lá, me rastejei até o objeto, era uma faca. A olhei, e ela continua ali parada, tranquila, me esperando, então eu peguei a faca e cravei na minha barriga, senti como se todos os problemas fossem embora junto com o sangue que escorria pelo chão, finalmente pude sorrir de volta para ela, enquanto fechava os olhos.
-Dominyke M

Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
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