Entrevista com um Anjo

ENTREVISTA COM UM ANJO - PARTE 1

Essa história que vou lhe contar aqui, você pode achar que seja triste, algum drama vivido por mim, daqueles que só se ver  filmes. Eu me chamo Renato, tenho trinta e oito anos, sou jornalista, e certa vez fui escalado para fazer entrevista com uma jovem que dizia ter sido tocada por Deus.
Escolhido o dia da entrevista, fui formular as perguntas, e pesquisar um pouco mais sobre a moça, quando encontrei a primeira foto dela, fiquei pensando como ela era linda, e o que ela queria dizer, o que era ser "tocada por Deus"? Esperei uma semana inteira, até que chegou o dia da entrevista, fui ao apartamento dos pais, era uma garota de classe média alta, eu sempre tive que lutar por tudo, abandonado junto da minha mãe pelo meu pai, que nunca soube o motivo, mas tenho quase certeza que foi por conta de outra mulher, ela, uma garota rica, tinha jeito de não ter nada de Deus ali.
Iniciou-se a entrevista, e eu de certa forma não me sentia bem ali, aquela garota de certa forma me fazia tremer, e ela lá, com aquele olhar fixo, fitava tudo o que fizesse, todos os meus movimentos eram seguidos por seus olhos. Estávamos sós no escritório do pai daquela garota, Sabrina era o nome dela, como ela era linda, e eu tenho quase certeza que já lhe disse isso.
Ao término da entrevista, ela começou a puxar assunto comigo, e pela primeira vez na vida eu não quis sair logo de perto do meu entrevistado, quis ficar ali, quis conhecer essa garota. 
Sabrina era uma garota linda, era muito magra, eu sei, mas era linda aos meus olhos, loira, tinha de fato olhos tristes e fundos, um azul cor de mar, era linda, me vi ali interessado naquela beleza, a voz suave que me passava paz, encontrei naquele minuto um alento, Sabrina tinha algo que eu não conseguia decifrar, e eu precisava fazer.
Depois de muito sorriso, estórias pessoais contadas, parecíamos íntimos. Depois dessa entrevista, começamos a nos encontrar diariamente, conversávamos por e-mail, ou por SMS, para esses assuntos, sou antiquado, essas tecnologias de hoje em dia não me encantam, e o mais incrível era saber que Sabrina era como eu, a tecnologia afastava.
Na entrevista eu me lembro muito bem, ela me perguntou o que eu achava da frase que colocaram à imagem dela, para ele o que deveria ser "tocado por Deus", e eu não soube responder, eu perguntei e ela não quis dizer, ao diria quando eu entendesse o que era Deus.
A cada dia que passava ao lado dela, me via cada vez mais feliz, cada vez mais... Apaixonado!
Certa vez eu estava dormindo, e sonhei com ela, ela dizia no sonho que estava me amando, e que o tempo estava acabando, acordei imediatamente com aquilo, com aquele sonho, como fora tão real. No outro dia, marquei um encontro com a em um café próximo da casa dela, nos encontramos, conversamos sobre tudo um pouco, ela amava falar em astronomia, sabia ler cartas, e ela parecia saber ler pensamentos. Como eu poderia estar apaixonado por uma garota quinze anos mais nova que eu? Mas como já estava mergulhado naquilo, iria até o final. No caminho de volta para a casa de Sabrina, ela estava linda naquele dia, um vestido azul até a metade da má coxas magras que tinha, mas verdadeiramente belas. Eu tive que beijá-la, foi mais forte do que, e fui correspondido, o beijo foi-se certeza que me foi dada, e naquele momento eu tive a certeza de que eu teria sido tocado por Deus, que Deus teria me unido a ela, eu com certeza a amava, mas ainda não poderia dizer aquilo, até que ela olhou no fundo dos meus olhos e disse que me amava, que precisava de mim ao seu lado, e eu queria estar!
Começamos então nosso breve caso de amor, foram um mês e meio de amor verdadeiro, foi um tempo curto comparado a esses amores comprados que vemos por aí, aonde está apenas o interesse envolvido, e no nosso tinha verdade. Os pais dela souberam por ela sobre nossa relação, pensei que não me aceitariam, mas concordaram de início, logo eu, que tinha idade para ser tio dela, e aparência para ser avô. Quando saiamos na rua claramente éramos observados, o que me deixava irritado, nunca gostei que reparassem em mim, mas ela gostava que reparassem em nós, e principalmente em mim, porque ela dizia que eu era a pessoa mais linda que todos queriam imitar, e que ela era a sortuda de me ter, mas a realidade é que eu sou o sortudo.
Estamos a sós no apartamento dos pais dela, eles haviam viajado, passariam 7 dias fora, e eu comecei a frequentar a casa, até que certo dia, aconteceu a primeira vez dela, a primeira vez que era feita por mim com muito amor, tomados pelo momento, transamos ali mesmo na sala, como a pela dela era macia, sinto até hoje a maciez de sua pele. 
No final de tudo, ela me perguntou mais uma vez o que eu entendia por ser "tocado por Deus", e eu consegui dar a resposta.
- É sentir ser amado, amar as coisas nos mínimos detalhes, é ser ensinado a amar e cultivar o simples. É simplesmente se tornar único no meio da multidão!
Ela começou a chorar, disse que era aquilo mesmo, todos haviam entendido errado o que ela falará e a fizera ser quem ela era, ninguém entendeu o que era ser tocada.
O fim estava próximo, mas eu não sabia, e eu só queria estar ali, ao lado dela. Estaria para sempre, a amava e era isso o que importava. O simples amor reinava em nós. 
Estava tudo certo para viajarmos em pouco mais de uma semana, aonde eu iria pedi-la em casamento, e lhe digo, quando o homem está perdidamente apaixonado, esse é o próximo passo que ela dá, e eu estava pronto para dar esse longo passo. Até que tudo mudou!

Continua... (Anderson R.)

Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
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