Quem sabe é só mais um.

Ei, diz a ele que não precisa mais voltar, tá?
Já basta a embriaguez do vinho para esquecê-lo e o sono perdido quase todas as vezes para vê-lo na minha ilusão noturna. Já basta. Eu sei que ele poderia ter ficado, claro que poderia, portanto qualquer desculpa sem fundamento não é bem vinda.
Diz também que eu esperarei sua vitória, porém de longe, porque de perto é difícil demais. É atormentador e irresistível.
Ah, peça que ele não insista, porque dessa maneira ele ganha essa guerra. Meu corpo é de porcelana e meu coração é inflamável, ele sabe, um dia os dominou muito bem, assim como os destruiu depois.
Eu sei que não adianta gastar esses lenços, mas ainda estou aos prantos e acho que só ele me salvaria mais uma vez desse frio com o calor dos seus braços, contudo, o vinho está dando conta até agora, mas o vazio do coração continua ecoando o seu nome. Ai, preciso de mais uma taça, quem sabe eu acordo amanhã sem lembrar que tinha de escolhê-lo para sentir-me mais completa.
Ah, quer saber, diz qualquer coisa, menos que eu ainda o amo e escrevo para ele todas as noites. Não diz. Ele não merece ouvir que já decorei o que dizer quando nos reencontrarmos nem que pensava nele enquanto abraçava outro. Não precisa. Eu não mereço ser flagrada amando meus segredos.
Penso que ouvi batidas na porta e com a terceira taça de vinho na mão fui abri-la, quem sabe seria o vinho que eu pedi mais cedo. "Oi" disseram quando abri, junto com um sorriso largo e branco e olhos brilhando. Era uma visão embaraçada, mas eu conhecia o sorriso, já ouvira aquela voz rouca e já havia sentido um calor perigoso vindo daqueles olhos  brilhantes. Era ele. Tive uma vontade imensa de jogar o vinho sobre ele, mas eu precisava desse vinho, quem sabe fosse mais uma ilusão noturna. Não era. Tirou a taça da minha mão e disse: "Não quero ouvir de mais ninguém, você tem de me responder". Lágrimas percorreram meu rosto e ele também chorou. O que eu diria? Não consigo achar agora as palavras que decorei.
"Eu o amo." disse aos prantos, "Então, por favor, não vai mais embora. Fica para sempre. Para sempre", então ele me colocou no colo como o velho costume e me prometeu que dessa vez seria. E eu vi a verdade, vi o sorriso, senti o calor, provei o beijo e chorei feliz em seu colo.
Então, não diz mais nada, deixa que ao cair da madrugada eu lhe conto aos sussurros como uma lembrança que não aconteceu ou que não tenha importância.
Aos sussurros, aos sussurr...

— LoreM.

Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
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