Confissão de Crhistine Hang



O silêncio ao chegar em casa era medonho. Esse horário sempre tinha gente em casa conversando, mesmo que a maioria das falas fossem brigas entre meus pais. Meu irmão coitado, era um viciado de esquina, vendia o corpo para sustentar o vício. Longe de eu ser o milagre da família, pois papai e mamãe não me amavam.
Entrei na sala, estavam mortos, meu pai e minha. Não chorei, sorri; gritei como se fosse estourar meus pulmões. Papai estava com as mãos enfiadas onde um dia existiram seios em minha mãe. Mamãe estava com a boca e os olhos costurados. Papai com a boca rasgada mostrando um largo sorriso, os olhos foram arrancados. Papai mostrava uma boca carente de dentes, eles estavam encravados pela pele de minha mãe. Meu irmão estava morto de joelho na parede do corredor para o quarto, mas aonde estaria sua cabeça?
Me senti pesada, olhei-me no espelho e lá estava a culpada, a maldita assassina. Segurando uma faca, braço com linhas entrelaçadas, eu tinha costurado meu braço? Você consegue me ver? É só me olhar no espelho, pode ser esse mesmo do banheiro, ou aquele que fica em seu quarto. Esforce-se um pouco e poderá me ver. Estou segurando na mãe direita a cabeça do meu irmão viciado, na esquerda a faca que usei para decepar membros.
Tenho linhas costuradas no pescoço, rosto, braços. Está escrito algo no vidro "Tranque bem a porta e jamais olhe profundamente no espelho!", vejo ele ao meu lado, o cara que me fez matar minha família. Não sinto medo. Eu já estou morta afinal. Já tem tempo que morri. Meu irmão virou drogado por conta de minha morte, papai e mamãe brigam por causa de minha morte. Esqueceram de mim. Eu voltei para buscá-los. Aonde tiver dor, estarei. Pronta para trazer a paz para o lar, mesmo que a paz chame morte!
E você, lembrou de trancar bem a porta?
- AAAAAAAAAAAAHHH!

Anderson R.

Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
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