Poison Minds - EP 07

EPISÓDIO 7 – INSANO


Trilha Sonora: It's a Man's Man's Man's World



     Depois de um mês de investigações o motel onde me encontrei com Misty voltou a abrir embora que agora possua um novo sujeito na gerência. Desde o assassinato de Misty o movimento do motel caiu um pouco, ninguém quem tem uma mente sã quer ir transar em um lugar que alguém morreu. 

     Como eu não tenho esse tipo de preocupação eu convidei minha nova “amiga” para ir até aquele motel.

     Seu nome era Rita, ela tinha cabelos negros e olhos verdes e um ar de superioridade com que tratava as outras pessoas que me enojava. Talvez ela não fosse totalmente inocente. Passei em sua casa pouco antes do relógio mostrar 22h00min e seguimos para o motel em um carro que não era meu.

     Durante toda a viagem ela tagarelava como se não houvesse nada no mundo que importasse mais para ela do que sua própria existência. Rita não queria saber de nada além de falar e falar a respeito de sua vida infeliz e que somente conseguia trair o marido porque não tinha o menor desejo físico por ele.

     Nem mesmo quando chegamos ao motel ela parava de falar a respeito de sua vida egocêntrica na qual nem se importava com os sentimentos de seu marido Victor. Pouco conhecia a respeito de Victor, sabia apenas que ele era um soldado direito e que cometia deslizes, sua única culpa para comigo foi ter apoiado Rick, talvez ele não soubesse o que estava acontecendo realmente... Mas ele o apoiou e essa foi sua falta, ele precisa pagar.

     De certa forma Victor não tem tanta culpa assim, acredito que seu maior erro foi ter ficado com uma garota tão egoísta e que nem se importa com ele de verdade. Rita pensa nela e somente nela, não existe outra pessoa no mundo que não ela. Seu egoísmo me enfurece.

Vitor – pensei comigo mesmo – Vou te livrar desse peso que você carrega.

Logo quando entramos no quarto a jovem Rita me olhou nos olhos e disse:

- Faça de mim o que quiser...

     Mas minha reação não foi a que ela esperava, eu olhei dentro de seus olhos e cerrei meus punhos, respirei fundo e perguntei:

- Como tem coragem de trair seu marido?

     Rita pareceu não entender a natureza da pergunta logo de cara, ela deve ter acreditado que era somente parte de um jogo erótico que não fazia tanto sentido e respondeu prontamente:

- Porque eu sou uma garota má e preciso de punição... – ela tentou dar um toque sedutor a sua voz e se conseguiu eu não reparei, pois somente o ódio me consumia naquele momento.

     Eu segurei seus cabelos com força e disse com um sorriso assustador no rosto:

- Eu vou te mostrar o que é punição!

     Sem que ela tivesse chance de reagir eu lhe acertei um soco em seu rosto e a desmaiei. Com seu corpo desfalecido no chão eu a arrastei até a cama de formato redondo que havia no quarto e joguei-a por cima do colchão.

- Pobre Rita... Seu coração é puro, mas sua alma é corrompida e sua mente é fraca. Vou livrar você desse sofrimento de uma vida miserável e egocêntrica em que você vive.

     Se ela fosse capaz de compreender que existe algo mais no mundo que não sua própria existência talvez ela sobrevivesse. Só que não há espaço para talvez para um homem que perdeu sua vida na injustiça. A justiça precisa ser feita.

     Amarrei seus braços na cabeceira da cama, um de cada lado de forma que ela parecia estar crucificada. Meu repúdio sobre ela era tão grande que decidi que ela não merecia usar as roupas que estava vestindo, pois seriam usadas em uma traição.

     Quando Rita acordou ela estava com os braços estendidos e completamente nua deitada na cama do quarto do motel, ela não conseguia entender como havia parado ali e acreditava que tudo ainda era um jogo erótico. Ou pelo menos achava até o momento em que me viu segurando uma Magnum Broken Butterfly e então percebeu que a situação ali dentro era muito mais crítica do que parecia.

- O que você quer de mim?! – ela disse de forma temerosa.

- Vou lhe propor um acordo – não gosto de ser redundante então fui direto ao ponto – e se você passar no teste você pode sair viva daqui.

- Do que você está falando seu doente?! – seu pavor começava a aumentar, mas o golpe que lancei contra ela anteriormente debilitou um pouco seu maxilar, impedindo-a de conseguir gritar.

- Eu já disse. Se você passar no teste você sobreviverá.

- Oh meu Deus, por favor, pare com isso...

- Será que você acredita realmente em Deus? Não é meio irônico você apelar para ele quando sua vida fora repleta de erros.

- Oh meu Deus... Por favor, me tira daqui!

     Enquanto ela se desfazia em prantos eu somente encarava minha pistola e dialogava com ela em uma espécie de monólogo onde eu ignorava totalmente o que ela dizia:

- Se pensar por outro lado, e se Deus me colocou aqui exatamente para fazer isso com os injustos? Digo, e se Deus quer que eu puna os injustos?

- Oh meu Deus você é louco! Me tira daqui!

- Então se Deus quer que eu faça isso, por que eu iria ir contra sua vontade?

     Rita começou a se debater na cama na esperança de soltar as cordas que a amarravam, mas era impossível já que eu usei cordas extremamente resistentes e com um nó de escoteiro que faria inveja a qualquer líder de acampamento.

- A bem da verdade minha cara Rita – conforme eu falava, eu me aproximava da cama onde ela estava amarrada – eu iria realmente testar sua fidelidade e iria pedir para que você ligasse para seu marido e contasse para ele que está traindo-o.

- O que você quer de mim? – seu choro copioso estava deixando a situação mais irritante do que deveria ser.

- Infelizmente não faz parte mais da minha vontade testar você. Eu já lhe sentenciei a morte por traição.

- O que?!

     Caminhei lentamente até o rádio do lado da cama e coloquei-o a tocar “It's A Man's Man's Man's World – James Brown” e enquanto cantava e sentia cada nota daquela maravilhosa música eu me aproximava mais de Rita. Teve um momento em que meu envolvimento com a música foi tão grande que comecei a cantá-la conforme me movia:

- Man thinks about a little baby girls and a baby boys♫ – eu caminhei lentamente até o lado de onde a moça se debatia feito louca pela sua liberdade – Man makes then happy 'cause man makes them toys♫ – passei a mão sobre os cabelos esvoaçados daquela mulher – And after man has made everything, everything he can♫ – apanhei a arma em minha cintura e apontei para sua cabeça – You know that man makes money to buy from other man♫ – e então atirei.

     O sangue vermelho respingou na parede atrás da cama e os lençóis rapidamente começaram a serem pintados de vermelho, eu rapidamente arranquei de seus dedos a aliança de ouro e me aproximando de seu ouvido eu sussurrei:

- Não ocorre a mim, ferir-te o coração minha dama, o sofrimento que detém a morte não mais lhe afligirá... Descanse em paz...

     Tranquei a porta do quarto e fui embora.

     Pouco antes de sair das redondezas eu liguei para a polícia de um celular descartável e comuniquei atividade estranha dentro de um motel de beira de estrada, onde entraram um casal e que somente o homem saiu de lá tempos depois com suas roupas sujas de sangue. Tive o cuidado de enfatizar que o homem usava uma farda do exército.

- Desculpe Victor, você era apenas o cara errado na hora errada.

     Mas a justiça não perdoa ninguém.

Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
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