POISON MINDS - EP 6

Sugestão de música: New Divide - Linkin Park



Episódio 6 – Lágrimas de sangue
     Banho tomado, as roupas sujas de sangue foram lavadas e jogadas pelo muro dos fundos da casa, num terreno baldio com mato alto, poderiam encontrar, mas quanto tempo demoraria? Voltei para sala e vi o corpo, a sombra de um sorriso surge novamente em minha face, a faca ainda está jogada no chão perto de uma das suas mãos, ponho uma luva que peguei do bolso de um enfermeiro enquanto me despedia, limpei a faca e cravei novamente em seu pescoço, ela deveria permanecer ali, por enquanto. 

     Recolhi o revolver, esvaziei seu cofre, não tinha muito, mas poderia ser o suficiente para um fim de semana, havia uma pequena quantidade de droga no cofre, por precaução, também a recolhi. Peguei minha bolsa e gritei, gritei o mais alto que consegui. Corri para a casa mais próxima, bati na porta, há alguns anos atrás costumava a morar uma mulher que era muito amiga da minha mãe e a ajudava quando eu estava drogada. Por sorte, ela continuava morando no mesmo lugar, ela me atende, eu me desabo em lágrimas.
– Menininha, o que aconteceu? Não sabia que já havia voltado. – Ela me olhava assustada e um pouco amedrontada.
Eu voltei hoje, não consegui nem deixar minhas coisas em casa, por favor, me ajude, chame a polícia, o mataram. – Ela encara minha bolsa e o meu estado, ainda está um pouco apreensiva, mas chama seu marido e seus dois filhos mais velhos, um homem com aproximadamente a minha idade e uma menina um pouco mais nova. 

     Eles não discutem comigo, apenas me encaram e cochicham entre si. Foram tantos anos mentindo para todos os vizinhos, todos na escola e alguns familiares, a atuação sempre foi fundamental para convencê-los. 

    Chegando em casa deixo com que eles entrem primeiro, fico no portão da frente, ajoelho e ponho as mãos no rosto, só ouço o grito da senhora e o senhor a carrega para fora da casa, escuto ele pedindo a ela que ligue para a polícia. Penso, e se encontrarem alguma digital na faca? E decido. Adentro a casa, finjo algumas náuseas.

 – Por favor, pelo menos tirem a faca do pescoço dele. Por que ele se metia em meio às pessoas erradas? Provavelmente algum traficante o matou por conta de drogas. Por quê? Pelo menos tirem a faca de seu pescoço, eu não aguento olhar para essa cena. – Me viro de costas. 

    Eles me obedecem, o senhor tira a faca e pede para que a menina ponha sobre a mesa, ela segura, olha para o irmão, entrega-lhe a faca e sai correndo em direção ao banheiro, todos ouviram o som da menina vomitando. 

    Fui até a cozinha e peguei um saco plástico, forrei na mesa e peguei a faca na mão do homem e a repousei sobre o plástico. Pronto, trabalho feito. Do lado de fora a mulher explicava o que tinha acontecido, acho que devo ir. Olhei em direção ao teto, fechei os olhos e usando uma velha técnica, as lágrimas vieram.

– Acho que não consigo mais ficar aqui, sei que os policiais vão falar comigo, mas eu vou ter que ir dar minha declaração de qualquer jeito, só não estou em condições nesse momento, espero que me compreendam. 

    O senhor apenas me dá um abraço envergonhado, mas ele tentou me “confortar”, o homem assente com a cabeça, a menina sai do banheiro e anda em direção a cozinha, apenas a acompanho com os olhos, a senhora repousa a mão em meu ombro, e me beija a testa. 

    Ando em direção à estrada sem olhar para trás. 

– Babacas. – Uma pequena gargalhada escapa pela minha boca. Tragam-me o Oscar, vadias!
    Ando pela estrada movimentada, sou encarada por algumas pessoas que passam, apoio-me numa parede de tijolos de um bar meia boca, abro minha bolsa e retiro de uma pequena sacola plástica o lenço que utilizei para limpar a faca depois de ter cortado as mãos daquele desgraçado, o sangue ainda fresco exala um cheiro que me entorpece. 

– Eu o matei. Sou uma assassina.

    Essa frase escorrega pelos meus lábios, sinto uma onda de calor e desejo subindo e tomando conta do meu corpo, sorrio e continuo meu caminho.

Agora sim papai, a partir de hoje, me chame de assassina.

Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
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