Poison Minds - EP5

EPISÓDIO 5 – CORDAS


É incrível perceber como as coisas passam a melhorar em nossas vidas quando decidimos dar um objetivo a nossa existência? – eu pensava comigo mesmo – Logo que acordo eu vejo no noticiário que um soldado de um batalhão do exército sendo preso por suspeita de assassinato... Adoro receber uma notícia dessas de manhã!

O Rick estava sendo interrogado uma hora dessas, muito possivelmente com a mesma delicadeza com que eu fui interrogado anos atrás. Fazem mais ou menos duas semanas desde o “trabalho” no motel e só agora a emissora local foi se pronunciar a respeito do caso.

Eu acredito que a mídia ainda não tinha conhecimento completo do caso porque afirmaram na reportagem que ele era apenas suspeito do desaparecimento dela, embora ele de fato fosse permanecer preso. Eu não havia combinado com o gerente a retirada do corpo dela. Somente a farda do soldado suja com o sangue da esposa foi encontrada no quarto do motel...

Não importa, ele já teve a parte dele no castigo. – eu repeti para mim mesmo algumas vezes antes de terminar minha xícara de café.

De banho tomado, cabelo penteado para o lado, vestindo uma jaqueta de couro preta com uma camisa branca por baixo e um jeans velho e é claro, minha .44 no bolso da jaqueta. Estava pronto para continuar a caçada.

Apanhei o telefone no bolso da calça e liguei para Anne, uma linda mulher de cabelos pretos e pele branca, era alta e muito inteligente, ela já estava à espera da minha ligação e marcamos o encontro em sua própria casa. Entrei no carro de disparei lá ao som de “Fear of the Dark – Iron Maiden”.
Estacionei o carro a algumas quadras de onde ela morava, ajeitei o cabelo e caminhei descontraidamente até a sua porta e toquei a campainha, ela abriu a porta quase que instantaneamente e me puxou para dentro e trancou-a.

Ela vestia uma camisola preta com bordados que acentuavam seus seios e sua virilha, usava um batom vermelho intenso e sombra preta ao redor dos olhos, seus cabelos pretos que iam até os ombros estavam soltos e dançavam de acordo com seus movimentos. O soldado casado com ela não merecia tê-la como esposa.

- No que está pensando Orfeu? – disse Anne com sua voz sensual e provocante.

- Em como você é boa demais para o sujeito com quem você é casada. – respondi de forma fria.

Ela me abraçou e sussurrou em meu ouvido:

- De que adianta ele ser meu marido se você é o meu homem?


Sem que eu tivesse chance de responder ela me puxou pelo colarinho e me jogou no sofá, em seguida pulou sobre mim e começou a me beijar intensamente, mordia meu pescoço e gemia suavemente quando eu apertava seus seios ou sua bunda. Depois de alguns minutos ela decidiu que o quarto seria o local mais apropriado para o momento então subimos as escadas e fomos para o seu quarto.

- Vou mostrar para aquele idiota do John que quem manda nessa casa e nesse corpo sou eu...

Anne arrancou a camisola e ficou completamente nua na cama e fez um gesto com a mão para que eu me aproximasse, sem pensar duas vezes eu arranquei minhas roupas e pulei em cima do seu corpo esbelto e provocante. Seus seios estavam rígidos e seu perfume doce me instigava, quando a penetrei senti seu corpo enrijecer, ela era quente e agora seu calor estava em contato com o meu.

Anne era uma mulher decidida e independente e o que ela mais odiava era a postura inconsequente de seu marido que acreditava ter controle sobre ela, Anne sempre queria ter o controle de tudo.

Eu a penetrava com força e ela urrava de prazer, ela estava toda molhada e gritava sempre que eu a penetrava com mais força, ela gozou intensamente até sentir suas pernas enfraquecerem e revirar os olhos de prazer, ela alguns segundos após o orgasmo olhou para mim e disse:

- Eu quero que você goze dentro de mim.

Odeio receber ordens.

Fiz o que ela disse e ejaculei dentro de seu corpo, em seguida me deitei ao seu lado e pousei minhas mãos atrás da cabeça como se fossem um travesseiro. Eu estava um pouco cansado, mas nada que atrapalhasse meu objetivo.

Nas outras vezes em que nos encontramos ela dormiu logo após a relação e era nisso que eu apostava, ela dormiria e eu terminaria meu serviço, só que dessa vez ela não dormiu e ao invés disso se levantou e caminhou lentamente até o guarda roupa.

- Eu comprei algo para você...

Droga! Eu só quero fazer o que tenho que fazer e ir embora!

Anne tirou uma lira branca com ornamentos dourados de uma das gavetas e caminhou novamente em minha direção, se arrastou pelo lençol, esfregou os seios em meu pênis e se aproximou da minha boca dizendo:

- Por que você não toca um pouco de lira para mim, Orfeu?

- Um pedido peculiar para ser feito após o sexo... – eu comentei ainda com descaso.

- Mas sou eu quem manda por aqui e você fará o que eu peço. Prometo que você será recompensado...

A mulher me entregou a lira e enquanto olhava para mim foi escorregando pelo meu corpo e começou a lamber meu pênis com sua língua morna e macia, eu entendi o recado: ela queria me ouvir tocar enquanto me praticava sexo oral. Prontamente apanhei a lira e toquei uma das melhores melodias que conhecia.

A cada nota tocada ela reagia com um ritmo diferente, mais rápido e mais devagar, quando eu estava próximo ao êxtase me veio à ideia: as cordas de uma lira são muito resistentes... Resistentes até mesmo para matar uma pessoa.

Sem que Anne percebesse eu soltei uma das cordas do instrumento, uma corda qualquer que não afetava na melodia e, quando finalmente ejaculei em sua boca ela se surpreendeu e olhando no meu rosto disse com um tom enraivecido:

- Você é um menino muito malvado! Deveria ter me avisado que...

Só que ela não conseguiu terminar sua frase. No momento em que ela levantou sua cabeça e seu pescoço para me encarar eu saltei por cima dela pressionando a corda da lira contra o seu pescoço, ela tentou me arranhar, gritar, quebrar a corda, lágrimas saíam de seu rosto e em um último suspiro ela sorriu, creio que por estar feliz em ser liberta do mal em que vivia...

Ela morreu ali, nua e exalando aquele perfume adocicado... Pobre efeito colateral...

- Não ocorre a mim, ferir-te o coração minha dama, o sofrimento que detém a morte não mais lhe afligirá... Descanse em paz... – eu sussurrei em seu ouvido antes de sair de cima de seu corpo. Aquilo estava se tornando minha marca registrada.

Antes de qualquer coisa eu vesti minhas roupas rapidamente e tratei de arrancar-lhe a aliança de casamento, ela não merecia estar casada com um soldado que protege um estuprador.

Plantar as provas contra o soldado John depois foi muito fácil, ele costumava deixar suas armas espalhadas pela casa, no computador da vítima eu escrevi uma suposta carta que dizia que John estava a ameaçando constantemente e que ela temia por sua própria vida. As suspeitas estavam plantadas.

Antes de sair eu apanhei uma de suas granadas de mão, arranquei o pino e joguei-a sobre a cama ao lado do corpo de Anne, fechei a porta e corri para fora, ao olhar para trás era possível ver a granada incendiária explodir as janelas com o calor do fogo e as pessoas se perguntando o que estava acontecendo, era tarde da noite e ninguém me vira chegar ou sair. Caminhei despreocupadamente até meu veículo, dei partida e sumi no horizonte.

Pobre Anne, você nunca foi capaz de entender não é? Nem você, nem o exército e nem a justiça. Ninguém mesmo pode me controlar... Não existem mais cordas sobre mim.

Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
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