Poison Minds - Episódio 1

EPISÓDIO 1 – ESTOPIM

      Quem poderia suspeitar de mim? Creio que eles nem mais se lembram da minha existência, até então todos pensaram que eu estava morto... É horrível quando as pessoas se enganam... – eu pensava comigo mesmo enquanto me entrelaçava ao corpo daquela mulher de cabelos ruivos e lábios macios – E pensar que eu poderia estar apenas cuidando da minha vida, lutando contra soldados iraquianos e roubando um pouco de munição de soldados que não precisariam mais... A vida não é tão justa...

      Meus pensamentos não me permitiam aproveitar do deleite que era poder me deitar com uma das mulheres mais atraentes da cidade. Enquanto ela cavalgava sobre mim insanamente e gritava meu nome tão prazerosamente eu apenas conseguia me permitir ser usado por aquela mulher de curvas estonteantes e de corpo escultural e com uma aliança dourada na mão esquerda que eu conhecia a procedência.

      Aquela ruiva que usava o codinome “Misty” quando se deitava comigo, na verdade era casada com um dos meus ex-companheiros do quartel, o soldado Rick. Ele era do mesmo pelotão em que eu atuava, sendo ele o responsável pela minha punição injusta. A Misty por outro lado era uma ruiva encantadora que certamente vivia um casamento fracassado com aquele imbecil que não merecia uma garota como aquela, um corpo tão perfeito não era adequado para um lixo como ele. Mas as pessoas costumam ter o que merecem.

      Misty cavalgava tão intensamente sobre mim que seus seios pulavam como se estivesse em uma cama elástica e seu grito de êxtase ao chegar ao orgasmo soou tão alto que tenho certeza que o gerente do motel conseguiu ouvir. Mesmo depois de chegar ao orgasmo ela ainda queria mais, queria que eu ejaculasse dentro dela e foi o que fiz, ela sentiu-se invadida pela minha essência dentro de seu corpo quente e molhado. Logo em seguida ela caiu ao meu lado suspirando e olhando para o teto, passou a mão por entre os seios firmes e disse:

- Você faz valer a pena as noites solitárias que passo em minha casa.

      Eu tinha certo pesar em ter de fazer o que iria fazer, mas a vida tem disso. As pessoas costumam ter o que merecem. Tinha que começar por ela. Enquanto olhava para o teto e respirava ofegante eu lhe respondi:

- Você é uma mulher espetacular, se dependesse de mim você jamais teria de lidar com um sujeito como é o seu marido.

- Como eu queria poder dormir com você todos os dias de minha vida... Meu casamento está arruinado mesmo e...

- Se eu pudesse lhe tomaria como esposa, você sabe disso.

      Ela se debruçou sobre meu peito e implorou olhando nos meus olhos:

- Então me tome! Tome-me para você e me use conforme sua vontade. Eu sou toda sua!

      Odeio me apegar às pessoas, torna meu trabalho mais difícil do que deveria ser, mas já estava tudo planejado e ela era só um efeito colateral, as coisas precisavam acontecer assim.

- Então feche os olhos meu amor e me sinta dentro de você para a eternidade...

      As coisas ficam um pouco confusas se vistas dessa forma, eu reconheço isso. Uma visão mais abrangente disso seria esclarecedora. Como eu havia me tornado aquilo? Por que as pessoas precisam ser tão más? Eu me lembro da minha história e sempre encontro essa resposta.

      Há três anos eu era um soldado do centésimo sétimo batalhão do exército americano, “Soldado Orfeu” como o próprio batalhão me nomeara devido minha habilidade em tocar lira. Lá dentro eu não possuía nome próprio, meu nome era Orfeu e assim foi feito, me esqueci do meu verdadeiro nome e isso não importa mais, afinal sou um homem morto.

      Durante uma operação estratégica nos arredores do lado Michigan eu e outros soldados fomos incumbidos de vasculhar casas de moradores procurando um fugitivo do exército que era procurado pela acusação de terrorismo, eu procurava em uma casa junto ao soldado Rick que até então se dizia meu companheiro. A casa que invadimos parecia estar vazia e enquanto eu vasculhava o andar de baixo o Rick foi para o de cima, enquanto eu procurava pistas sobre qualquer morador daquele lugar eu ouvi o barulho de um móvel cair no chão, o barulho vinha do andar de cima e imaginei que Rick estava lutando com alguém então corri pelas escadas para verificar o que estava acontecendo.

- Cala a boca vadia! – ouvi Rick sussurrar ao me aproximar da porta.

      Eu conseguia ouvir o barulho de alguém se debatendo e o som da voz de Rick tentando silenciar esse alguém, sem pensar duas vezes eu ainda com minha metralhadora de combate nas mãos dei um solavanco na porta e a arrombei em uma investida.

- Que porra está acontecendo aqui?! – gritei enquanto mirava com minha arma para o Rick.
Rick estava imobilizando uma garota de cabelos pretos e corpo magro que tentava se soltar a qualquer custo, ele estava tentando arrancar a roupa da garota e pela resistência dela eu me dei conta do que estava acontecendo.

- Largue a garota soldado! – eu gritei ainda mirando na cabeça de Rick.

- Ela é apenas um efeito colateral da guerra! Deixe eu me divertir!

- Eu mandei você soltar a garota! – eu engatilhei a arma e fiz menção de disparar caso ele não me obedecesse.

      Rick soltou a garota que veio correndo até mim e me abraçou agradecendo a Deus por eu ter aparecido ali para salvá-la de um estupro. Meu sangue ferveu naquele momento e eu não conseguia pensar em mais nada além de denunciar o sujeito para as autoridades do nosso batalhão. O soldado ainda tentou se explicar dizendo:

- Você não pode deixar ela viva Orfeu. Ela vai denunciar o que aconteceu aqui.

- E então você será punido pelo o que tentou fazer e que teria feito se eu não tivesse chego a tempo!

- Qual é Orfeu? Você não vai...

- Eu vou sim! – apontei minha arma novamente para sua cabeça e disse em alto e bom som – Você está preso sob a acusação de crimes contra a nação e tentativa de estupro.
Rick tentou se aproximar de mim e eu insisti:

- Mãos para o alto! Você está preso!

      Rick percebeu que era inútil tentar resistir então largou o fuzil que utilizava e levou suas mãos para trás da cabeça, eu não possuía algemas e tinha de levá-lo sob custódia sem adereços apropriados, então ordenei que ele caminhasse na minha frente:

- Você está cometendo um erro... – ele alertou.

- O erro cometido foi por você. Você não merece vestir o uniforme do nosso exército. Você vai ser julgado.

      Em um momento de descuido eu olhei para a garota para perceber se ela estava bem e nesse único segundo em que desviei meu olhar do soldado, ele se voltou contra mim e me atingiu com uma coronhada certeira na cabeça me desacordando completamente.
   
      Quando acordei estava dentro de uma cela sendo espancado por outros quatro soldados que a todo o momento me chamavam de monstro por entre os socos e chutes, eu nem ao menos conseguia entender o que estava acontecendo e de repente outra coronhada atingiu minha cabeça e eu apaguei de novo.

      Depois de algumas semanas em cárcere eu fiquei sabendo do que havia acontecido. Rick me desacordou e assassinou a garota que eu havia salvado, depois plantou minhas digitais em seu corpo e em suas roupas, nas armas e móveis do lugar e me denunciou como sendo o assassino, ele alegou ter me enfrentado para salvar a menina, mas que havia chego tarde demais e pode apenas impedir que eu saísse impune de tudo aquilo. Traído pelo meu próprio amigo.

      Incapaz de provar minha inocência eu fui condenado e expulso das forças armadas e em seguida fui preso e permaneci preso durante alguns dois anos. No terceiro ano eu acabei sendo transferido para um hospital psiquiátrico e lá permaneci durante um ano... Até que houve um incêndio no local e todos morreram tragicamente... Todos menos eu, mas as autoridades não sabem disso.

      Desde então tenho arquitetado planos para me vingar de todos meus inimigos que me acusaram injustamente, pessoas em quem eu confiava e que me condenaram. Eles vão ter o que merecem. Acho triste apenas que eu mantenha relações sexuais com essa mulher que chamo de Misty e que certamente não merece o que o destino aguarda para ela.

Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
Recommended Posts × +

0 comentários:

Postar um comentário