Poison Minds - Episódio 2

EPISÓDIO 2 – Victoria
Foram alguns anos sem ver o mundo, finalmente sinto uma pontinha de paz ao ver a vida de fora daquele lugar horrível.

Ainda olho para trás e vejo algumas enfermeiras e os psicólogos apreensivos, esperando qualquer reação inesperada para me jogar de novamente no meio daqueles doidos viciados, ao contrário da maioria deles, eu não tenho nenhuma culpa do que aconteceu, não sou nenhuma louca, posso dizer que sou perfeitamente normal, nunca fiz nada de mal a ninguém, até agora.

Entro no primeiro táxi que surge na rua e acompanho com os olhos a paisagem da janela, finalmente não verei nunca mais a cara daqueles desgraçados.

Engasgo na hora de dizer o endereço, são tantas memórias, mas me permaneço firme no caminho, com a mente fiz no meu objetivo. Na minha bolsa ainda tenho alguns antidepressivos e calmantes, não vou precisar mais deles. E se não fosse por aquele infeliz já deveria ter saído de lá há alguns anos.

Nunca conheci meu pai, e perdi minha mãe há uns meses, aquela vadia, desde nova andava na noite sendo usada por uns e outros até que conheceu meu padrasto, alguns anos mais novo que ela, a colocou no mundo das drogas e a obrigou a ficar com ele, foram muitos anos apanhando daquele monstro ate que... (uma única lágrima escorre do meu olho esquerdo) ele quase a matou. Ela tentou fugir, disse para mim que voltaria, tão ingênua que eu fui, com apenas 7 anos aceitei e a ajudei, mas ele era mais esperto que nós, na noite da fuga ela disse que ia comprar as drogas para ele, ela tentou, sem nenhuma piedade ele a atropelou.

 Ela passou os próximos 14 anos numa cama, dependia d mim para tudo, mas sempre me tratou com ódio e desprezo. Acho que no fundo ela pensava que eu havia dito algo a ele. Não satisfeito em ter atropelado a pobre vagabunda, ele a amarrou e a obrigou a assistir as sessões de abuso. Além de ser obrigada a ver e servir minha mãe naquele estado, fui usada por ele.

Conforme o passar nos anos era difícil para ele me manter imóvel, foi então que ele resolveu me drogar, exatamente como era com a minha mãe. E com 13 anos eu estava amarrada no porão, drogada enquanto um homem qualquer realizava meu primeiro aborto. Com 15 tive alguns problemas por isso, perdi meu útero, fiquei gravemente doente por conta das drogas, eu estava farta.

Em casa, ele batia nela, depois de tantos anos ela nem reagia mais, pela fresta da porta, eu observava, CHEGA! Fui até a cozinha, peguei a faca, entrei no quarto devagar e quando fui apunhala-lo.

– NÃO! – O grito da minha mãe me denunciou.

Ele se virou e com um golpe tirou a faca da minha mão, me olhou encolhida no chão e se bateu, se fez pequenos cortes. Por que ele está fazendo isso? Eu estava apavorada. Então ele esfaqueou minha mãe. Logo imaginei que seria a próxima. Enquanto ele caminhava em minha direção ele disse olhando no fundo dos meus olhos:

– Você vai se arrepender de ter matado a sua mãe.

Não entendi, eu não a matei, mas não tive como responder, com uma coronhada ele me apagou.

Acordei alguns dias depois num quarto branco, sozinha, sem entender, tentei abrir a porta, mas estava trancada, olhei pela janela, vi um jardim com algumas pessoas sentadas, a janela também estava trancada, chamei por alguém, gritei por alguém, uma câmera no teto me chamou atenção, encarei por alguns segundos. Três homens entraram no quarto.

– Onde eu estou? Quem são vocês? O que eu estou fazendo aqui?

– Calma, vai ficar tudo bem. – Foi tudo que um deles me disse.

– Como assim vai ficar tudo bem? – Ouço um grito vindo de fora do quarto, tentei correr, eles me prenderam. – Me solta! – Tentei fugir, mas eles eram três homens fortes. – Socorro! – Uma mulher aparece na porta com uma seringa na mão, me debati, relutei, mas não adiantou, ela aplicou e eu apaguei.

Pelo que me lembro foram semanas apagando, eu não me conformava, só queria fugir dali. Depois de um tempo, alguns médicos vieram conversar comigo, pelo que entendi, aquele maldito tinha dito que eu matei a minha mãe por conta das drogas, sempre neguei tudo, eles quase me fizeram acreditar que a culpa era minha, que eu tinha um problema e que eles iriam me ajudar. Fui mantida dopada enquanto todos me perguntavam o porquê eu matei minha mãe. No segundo mês de internação, ele foi me visitar, acho que pela primeira vez na minha vida o vi sóbrio, me carregaram para um quarto branco onde tinham duas cadeiras, os enfermeiros me forçaram a sentar perto dele, ele passou a mão no meu rosto, tentei levantar, mas eles me prenderam.

– Por que você fez isso minha filha? Eu e sua mãe só queríamos que você parasse de se drogar e se prostituir.

– Eu fiz o que? VOCÊ POR ACASO É LOUCO? – Se os médicos não estivessem me segurando eu acabaria com a raça dele.

– Calma, minha princesa. Papai está aqui, graças a Deus sua mãe está bem, ela está no hospital e você também vai ficar melhor, e poderemos todos voltarmos para casa.

– Eu não vou voltar! Vai para o inferno! Me tirem daqui! – Me apagaram novamente.

Finalmente pude entender o que estava acontecendo. Com o passar do tempo me acostumei com os remédios, mas as visitas dele sempre me tiravam do sério. Ele sempre fazia algo para tentar me deixar mais tempo por lá, e ele conseguia. Durante 6 anos de internação tive como arquitetar o plano perfeito para me vingar, e hoje finalmente esse dia chegou.

Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
Recommended Posts × +

0 comentários:

Postar um comentário