Orfeu VS Victória - Poison Minds (EP 13)

EPISÓDIO 13 – ORFEU VS VICTÓRIA


A manhã estava para chegar e eu precisava levar aquela garota desmaiada para um local seguro e calmo, ela estava suja de sangue e para piorar esse sangue em sua roupa não era dela. Ela aparentava ter dezoito anos no máximo e já se encontrava nessas condições.

Antes eu encontrá-la do que a polícia. – eu pensei comigo mesmo.

Após seguir por uma das saídas da interestadual nós chegamos ao refúgio que eu chamava de casa. Abri a porta do carro com cuidado e peguei-a no colo, ela suspirou suavemente e tive de ter cuidado para não acordá-la, carreguei-a até meu quarto e a coloquei sobre os lençóis vermelhos que eu tanto gostava.


Minha “casa” ficava distante da cidade, era uma espécie de casa de campo e a residência mais próxima ficava a cerca de dois quilômetros de distância. Não havia qualquer sinal de civilização nas redondezas e isso significava sossego e segurança para um soldado que desconfia da própria sombra.

A garota ainda estava dormindo e eu decidi tomar meu café da manhã, fiz torradas e comi com geleia de uva, bebi dois copos de Bourbon e resolvi ver a garota misteriosa e ainda suja de sangue.

Caminhei até a porta do quarto e fiquei parado abaixo do batente, ela estava dormindo como uma criança inocente, suas roupas sujas de terra e sangue poderiam fazer manchas no meu lençol precioso, no entanto não era aquilo que me preocupava tanto. Preocupar não era a palavra certa para usar, ela me causava espanto, me trazia memórias e era extremamente parecida com a Susan.

Se a Susan tivesse vivido o suficiente ela seria igual a você, criança... Se eu não tivesse a condenado... Se eu tivesse sido... Não importa. Ela está morta. Essa garota não é a Susan e ela irá embora assim que acordar.

De repente a jovem começou a fazer algumas expressões de dor e em seguida abriu os olhos, ela parecia confusa e com medo. De certa forma eu a compreendo, ela dormiu jogada na estrada e acordou em um quarto desconhecido olhando para um sujeito com aparência duvidosa e usando uma jaqueta de couro preta e calça de guerrilheiro. Aquela não era a melhor cena para ser vista logo ao acordar.
- Quem é você? – perguntou a garota levantando rapidamente da cama e se colocando de pé ao lado dela.

- Você quem “apagou” no meio da estrada na madrugada. Você é quem deve se identificar primeiro. – eu retruquei.

A jovem aparentou não gostar nada do meu tom arrogante, deu um passo à frente e insistiu:

- Você é um policial? Você me sequestrou? Quem é você?

- Você parece bem confusa minha jovem, sugiro que se acalme.

- Não fale nada a respeito de mim! – a garota parecia cada vez mais irritada – Você deve ter achado o corpo dela, não é? Ou achou o dele?

A jovem desconhecida se abaixou e apanhou uma faca de caça que estava presa a sua bota, apontou faca para mim e disse forma incisiva:

- Vou furar seus olhos e arrancar suas mãos se você não me disser quem é você!

- Então você é o tal “maníaco dos olhos” que eu vi no jornal? – minha postura ainda era a mesma, braços cruzados e recostado no batente da porta – Isso explica o sangue em sua roupa, mas você é muito descuidada criança. Logo a polícia irá atrás de você.

Ela aprumou a faca na mão como se estivesse pronta para fazer uma investida e disse:

- Não sei quem é você, mas pelo jeito tenho que te matar também!

A garota deu três passos largos em minha direção com a faca erguida para me acertar um golpe no pescoço, mas o golpe era previsível demais e quando suas mãos se aproximaram do meu corpo eu me antecipei e segurei suas duas mãos e derrubei a faca de suas mãos, olhei no fundo dos seus olhos e disse de forma a ser entendido numa única explicação:

- Eu me chamo Orfeu e se você tentar me atacar de novo, eu vou matar você.

A ameaça não surgiu efeito na garota que instantaneamente preparou um chute na direção das minhas costelas, eu agarrei sua perna direita e encurtei a distância entre nós e acertei um soco em seu abdômen e por fim a lancei contra o meu sofá onde ela caiu sentada e de frente para mim.

- Eu sou mais velho, mais forte e muito mais treinado para esse negócio de assassinatos do que você sua pirralha! Pare com isso agora!

- Escute aqui! – a jovem se levantou e assumiu uma postura de combate – Eu fui violentada por alguém mais velho e muito mais forte que eu durante toda a minha vida! Eu não vou ser abusada por nenhum outro sujeito nesse mundo!

- Eu já disse que não sei quem você é! Cale-se e escute o que está dizendo! Você não sabe nem ao menos quem sou eu! Se acalme ou sofra as consequências disso!

A resposta da jovem veio através de uma investida violenta. Ela correu até mim e tentou me atingir com um soco forte e eu segurei o seu punho com a minha mão sem fazer qualquer esforço, ela se enfureceu e tentou me acertar novamente com a outra mão e eu bloqueei seu golpe com o braço esquerdo, acertei seu rosto com meu ombro e isso a desequilibrou fazendo com que a garota caísse no chão.

Ainda munida de sua fúria incontrolável a garota tentou me atingir com um chute que foi bloqueado com um movimento simples com meu pé, ela rolou para trás e ficou de pé novamente.
Seu cabelo se parece um pouco com o dela...

Ela correu até mim e saltou para me atingir com um chute na cabeça, eu me abaixei e escapei do golpe, ela girou em torno de si mesma e tentou me chutar com a outra perna e eu tive de bloquear o golpe com os dois braços devido a sua força.

Ela parece ser bem forte apesar de sua aparência não demonstrar...

A jovem aproveitou minha baixa na guarda e tentou me socar novamente, mas eu segurei seu braço com força e girei-a no ar como se fosse um objeto qualquer e a arremessei no sofá onde ela aterrissou com força e quebrou as madeiras de sustentação do estofado.

- Ah! – ela gritou ao atingir o móvel – Seu desgraçado!

- Eu já disse que você não tem a mínima chance comigo. Desista ou vai acabar como as outras. É uma pena que você não tenha uma aliança, mas eu vou abrir uma exceção nessa regra se você não parar de dar uma de louca histérica!

Ela se levantou novamente e armou guarda para me atacar, respirou fundo e investiu novamente contra mim com socos curtos e rápidos e eu defendia cada um deles sem qualquer esforço. Em uma tentativa de me atingir desprevenido a garota fingiu dar um soco e preparou um chute nas minhas costelas, mas ao ver seu pé se mover para o ataque eu investi contra seu pé de apoio e lhe acertei um chute de leve na parte interior da perna desequilibrando-a e por fim agarrei seu pescoço e a ergui no ar como se fosse um cabo de vassoura.

- Você já me cansou!


Tomado pela raiva eu levantei a garota e a joguei contra a mesa de centro, o impacto de suas costas contra a mesa de vidro fez com que ela se estilhaçasse em vários cacos. O rosto da jovem se transformou em uma face de dor, sua roupa ficou suja com os farelos de vidro e ela parecia estar derrotada.

Talvez a Susan se tornasse tão forte quanto ela.

Eu tomei todo o cuidado necessário para não causar nenhum ferimento grave naquela desconhecida, ela havia sofrido alguns golpes, mas todos superficiais e o que de mais grave havia lhe acontecido era ter sido jogada de costas contra uma mesa de vidro e, diga-se de passagem, a mesa nem era tão resistente assim.

- Ah... Minhas costas... – disse a jovem por entre gemidos dolorosos.

Eu caminhei até ela e lhe estendi a mão como um gesto de solidariedade, ela relutou nos primeiros segundos, mas depois assentiu com a cabeça e me deu seu braço para que eu a retirasse dos escombros da mesa.

- Eu não queria ter te machucado garota, eu apenas me defendi...

A jovem até então sem nome olhou para mim, sorriu timidamente e retrucou:

- Não me chame de garota... Eu me chamo Victória...

- Então me desculpe pelos meus modos Victória, espero não ter te machucado tanto. – por mais que minha voz soasse um tanto quanto sarcástica ela pareceu acreditar nas minhas desculpas.

- Tudo bem... Você devia pegar leve com as garotas... Mas considerando o que você disse você é o assassino de mulheres que está rondando os motéis por aí não é?

- E você é a estripadora de homens daqui da cidade, não é? – eu retruquei prontamente.

Victória riu novamente e não respondeu, deixou a resposta implícita no ar e aquilo me agradou. Talvez fosse uma garota que gostasse de partilhar segredos. Pessoas caladas e que não se metem na vida dos outros costumam viver muito.

O silêncio perdurou por alguns segundos até que ela finalmente disse de forma espontânea:

- Olha, eu sei que pode parecer meio invasivo, mas eu preciso mesmo tomar um banho...


Pelo jeito que ela olhava para mim, me observando de cima a baixo com um olhar decidido, um olhar cheio de segundas intenções... Algo me dizia que ela não queria apenas tomar banho.

Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
Recommended Posts × +

0 comentários:

Postar um comentário