Poison Minds - VISITA (EP 10)

EPISÓDIO 10 – VISITA




Olho para as coisas em cima da cama, separo a arma e a coloco na gaveta do criado mudo, observo ainda os pacotes de droga e decido colocá-los também sobre o criado mudo junto com os remédios antidepressivos e as balas de menta. Recolho as notas amassadas que tirei da carteira do babaca que matei, guardo o restante de volta na bolsa, levo o lenço e faca para o banheiro. A água quente do chuveiro bate nas minhas costas e o lenço tingido de vermelho que estava entre minhas mãos começa a perder a cor, esse líquido tingido pelo sangue corria pelo meu corpo indo em direção ao ralo, apoio a cabeça na parede e esvazio a mente.

       Em meio ao silêncio, me assusto com as batidas na porta. Largo o lenço sobre a pia, me enrolo na toalha e escondo a faca já limpa no vão entre o colchão e a cama, meu cabelo molhado pingava por todo chão, me movi delicadamente e destravei a porta. A menina da recepção estava andando de volta para seu posto, mas quando ouviu o barulho da porta se abrindo, se voltou para mim e sorriu envergonhada.

– Entre. – Ela obedeceu e eu fechei a porta. – Alguma coisa errada? – Tiro a toalha para enxugar o cabelo, ela observa meu corpo despido e fica nervosa enquanto tentava desviar o olhar. Dou um sorriso.


– Eu não vi sua identidade, preciso de seus dados. Digo, a recepção precisa de seus dados. Não só os seus, é uma regra aqui no hotel. Temos um cadastro ...

– Eu já entendi. Vou pegar meus documentos. – Vou até a cama e procuro na bolsa meus documentos enquanto seco meu cabelo com a toalha. Sinto seus olhos mirando meus seios, a encaro, pego os documentos e ando em sua direção. – Cuidado com o chão, está molhado por causa do meu cabelo. Aqui estão meus documentos. – Chego bem perto de seu rosto. – Mais alguma coisa? – Ela olha diretamente para meus lábios.

– Eu vou buscar um pano, para limpar o chão. – A seguro pela mão.

– Não é necessário. – olho seus lábios rosados inquietos, suas bochechas coram.

– Vim também para avisar sobre o café da manhã que os hospedes têm direito, temos um certo limite de horário, mas se você quiser posso dar um jeito de aumentar o limite de horário, já que está tarde, e é provável que você vá dormir tarde e se você ... – Decido interrompe-la com meus lábios, sinto em meus braços seu corpo amolecendo, sua língua era macia e doce, ela me agarrava firme enquanto invadia sua boca com a minha língua, agarro em seu cabelo e escuto seu gemido escapar do beijo e se dissipar pelo quarto. Nossos corpos estavam próximos e ela me segurava me obrigando a permanecer ali, com os lábios juntos aos dela, minha boca desceu até seu pescoço, minha mão agarrava sua cintura.

– Você fala muito. – Sussurro em seu ouvido e sinto seu corpo estremecer. Solto seu corpo e a vejo perder o equilíbrio, ando em direção ao banheiro novamente. Ela permanece parada no mesmo lugar, suas pernas pareciam estar plantadas no chão, suas mãos tremiam, e eu a observava enquanto penteava meus cabelos ainda úmidos. – Mais alguma coisa? – Ela se assusta com a quebra do silêncio, se vira e vem em minha direção, mas mal consegue me olhar por estar tão envergonhada.

– Sim. Faça de novo. – Ela parecia uma criança determinada, somente dou um sorriso.

– Não deveria se meter com pessoas que não conhece, você é nova, isso pode ser perigoso.

– Eu não faço isso, normalmente. Então por favor, eu te peço, faça novamente. – Observo o quanto a menina estava inquieta.

– Me espere no quarto. Mas não diga que não te avisei.

      A menina começa a se despir e deita na cama, tranco a porta e deito por cima dela, a seguro firme pelo pescoço.

- Essa é sua última chance de fugir. – Ela permanece imóvel, a beijo novamente enquanto aperto seus seios, suas pernas se levantam e me envolvem, entrelaço meus dedos em seu cabelo e puxo enquanto a invado com meus dedos, ela solta um único gemido alto que ecoa por todos os cantos do quarto.

 – Você vai se arrepender disso menina. – Ela fecha os olhos e se entrega. Beijo seu corpo, enquanto meus dedos continuam os movimentos, as vezes rápido, outrora devagar. Seu quadril mexia em direção aos meus dedos, seus gemidos eram altos e selvagens, suas unham estavam cravadas no lençol, seu corpo se contorce e só ouço o som que anuncia seu orgasmo, simplesmente a rosto angelical e doce como de uma criança, acabara de se tornar sedento e faminto, como de uma pantera.
       
     Seu corpo falece, e enquanto ela tenta se recompor, levanto-me em busca de encontrar alguma bebida barata no frigobar antigo no canto do quarto. Ela olha para as drogas em cima do criado mudo e senta rapidamente na cama, pego uma cerveja e bebo com a esperança de ficar bêbada logo no primeiro gole, já está amanhecendo, mas o olhar da menina fica cada vez mais sombrio e seu corpo se recolhe na cama tentando cobrir sua nudez.

– Não imaginava que usava drogas. – Seus olhos estavam frigidos e seus lábios sem cor.

– Você não tem ideia das coisas que eu sou capaz de fazer. – Ela me encarava amedrontada, virei toda a cerveja e caminhei lentamente em sua direção.

– Então me conte.

– Se eu te contasse, teria que te matar. – Ela recua e se assusta quando eu começo a rir. Sorri sem graça e respira fundo.

– Você vai ficar aqui por quanto tempo?

– Por algumas horas, vou seguir caminho assim que amanhecer completamente.

Mas você se quer dormiu. Por favor, fique. Quero conhece-la melhor. – A criança inquieta dá as caras novamente. – Eu não tenho amigos por aqui, Somos só eu, a irritante da minha mãe e meu velho pai, sinto que podemos ser grandes companheiras. Podemos nos divertir juntas.

– Desculpa, menininha. Mas as coisas não são desse jeito.

– Eu não sou tão jovem quanto pensa, já vou fazer 18 anos, e eu não quero crescer e passar minha vida nesse lugar, infeliz como meus pais. Não vou aguentar ficar aqui, quero ir embora, conhecer novos lugares e novas pessoas, beber, dançar, virar noites acordada, me divertir.


– Talvez ficar bêbada, transar com pessoas desconhecidas, se encher de drogas e se matar antes dos 30 seja uma bom planejamento de vida, mas eu não vou carregar o fardo de te levar para esse caminho. Tenho muitas coisas para fazer e nenhuma delas envolve ter uma adolescente para cuidar.

– Eu não vou dar trabalho nenhum. Para onde você vai? Eu posso ir com você. Esperamos até anoitecer, eu arrumo minhas coisas, eu tenho guardada minhas economias, não precisa se preocupar comigo, eu posso arranjar um emprego em algum lugar, e vai ser incrível. – Ela parecia muito empolgada com os planejamentos, mal conseguia se manter quieta na cama.

– Você, por acaso, está louca? E eu vou ser obrigada a lidar com seus pais te procurando, a polícia pensando que foi algum sequestro, ou algo parecido? Nem pensar. Me imagine cuidando e sustentando uma maluca da sua idade, nem precisa, porque isso não vai acontecer.

– Podemos nos fazer companhia. E você não precisará ser minha mãe, eu tenho dinheiro o suficiente para me sustentar pelo menos um mês até arrumar algum trabalho, e eu posso pegar mais com meus pais. – Imagino o quanto em dinheiro essa menina poderia ter guardado, ela poderia ser útil em alguma coisa, nem que seja para minha diversão. 

– Eu vou deixar uma carta explicando o motivo de ter ido embora, você não terá que lidar com a polícia. Por favor, eu te imploro, me deixe ir com você. Eu faço o que você quiser, pelo tempo que quiser. – De repente, essa última proposta me pareceu interessante, poderia ser arriscado, mas valeria a pena o lucro em dinheiro.

– Tudo bem garota, mas eu vou logo te avisando, você sabe do risco que corre e eu não sei lidar com desobediência, se encher meu saco ou atrapalhar meu caminho vai terminar em alguma vala na estrada. – Ela não pareceu escutar a frase até o final, pois sua euforia havia tomado conta de seu corpo. – Sairemos nessa madrugada, então, esteja pronta. – Ela somente sorri, me beija, deita na cama e me olha como se me convidasse para dormir ao seu lado. 

     Deito-me, e ela vem se aconchegar nos meus braços novamente como uma criança manhosa, por mais que não seja tão agradável, confesso que acho engraçado, ela possui uma áurea infantil e ingênua, faz tempos que não vejo um olhar tão puro, me faz lembrar dos tempos da escola, enquanto todos brincavam no pátio eu os observava, com cabelos ao vento, olhares brilhantes, sempre sorrindo, invejava todos os dias aqueles sorrisos, aquelas crianças felizes tinham tantos motivos para sorrir mesmo? Nunca descobri, mas vejo o mesmo brilho nos olhos dela.

 – Como eu posso te chamar?

Você por acaso não prestou atenção no meu crachá? – A olho como se não ligasse, afinal ela estava usando algum? – Beatriz, ou Bia, como preferir. – Ela boceja e aninha seu corpo no meu, acompanho seus olhos fechando lentamente, mas suas mãos continuavam no meu rosto, me acariciando, até que ela adormece.


     Sinto-me estranhamente incomodada com tal situação, como essa menina pode tratar com tanto afeto uma desconhecida? Ela só sabe meu nome, não sabe de onde eu vim, para onde estou indo, nem quem sou eu de verdade. Bastou uma troca de olhares na recepção para que ela queira fugir, junto comigo? Não me conformo. A luz da manhã começa invadir o quarto, retiro sua mão do meu rosto, me viro e tento repousar para a próxima madrugada em claro nas estradas.

Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
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