A pior dor é a dor consentida

A pior dor é a dor consentida. Aquela que você já espera no fim do noite, antes de ir dormir. Aquela esperada quando os olhares de repente se cruzam. Aquela que o vinho faz questão de trazer, e que você aceita com toda vontade. O fim não é aquele que trás apenas a separação, mas também a dor que para esquecer você compra vinho e relê aquelas cartas antigas porque de alguma maneira elas fazem você voltar ao passado. Assim se passa uma semana, um mês, um ano, um século e você se acostuma. Aquele tipo de dor que quando chega o dia que você não sente mais, dá nostalgia. Aquela que escuta os seus pensamentos e te consola sem dizer que um dia o passado volta. É passado. Eu nunca espero nem esperava que voltasse. Eu prefiro sentir a dor de todo o passado do quer tê-lo de volta. Prefiro guardar numa caixinha e visitá-lo às quartas-feiras à noite do que senti-los novamente em minha vida. Às vezes até que tenho medo de ter o passado de volta a dor me coloca no colo e se põe a me escutar. Pode parecer estranho hoje, mas eu tenho medo que tudo volte e fique como antes. Porque eu odeio os fantasmas do meu passado. E acredite, tem mais fantasmas no meu passado do que em qualquer lenda de cemitério. Eu sou mais simples, sou poeta, sou realista, machadiana. Eu prefiro sentir a ter de volta.
Então acredite, a pior dor é a dor consentida.


-Lore M.

Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
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