Novo Abismo - Poison Minds (EP 15)

15 – NOVO ABISMO


Enquanto o vento forte batia em meus cabelos eu seguia conduzindo meu carro por entre as estradas sinuosas da cidade, a pisada forte no acelerador era uma tentativa de manter meus pensamentos ocupados com a estrada e não com o que eu havia feito algumas horas atrás.
Soube através da frequência da rádio da polícia que um novo detetive havia chegado a nossa cidade e que ele estava incumbido de investigar os assassinatos recentes, principalmente os que envolviam os homens que tiveram suas mãos e olhos arrancados e as mulheres que tem sido assassinadas em quartos de motel.
Eu não tinha com o que me preocupar. Todos os vestígios a respeito da minha existência foram apagados e não havia nada que podiam fazer para chegarem até mim. Minha mente estava tranquila e eu vagava pela estrada sem qualquer rumo definido.
Mas aquela garota, ela ainda pode ser encontrada e considerando seu total amadorismo na forma de matar, logo ela será encontrada... Chegando a ela a polícia pode chegar até mim, em uma hipótese quase remota, é verdade, mas ainda assim... Droga... Preciso sumir com esse detetive daqui.
Rapidamente eu segui pela saída mais próxima e desapareci no mar de carros daquela metrópole esquecida por Deus. Estava na hora de voltar a ser quem eu realmente era: Orfeu, o soldado.
Eu conhecia toda a cidade e o quarteirão onde o escritório desse tal detetive se encontrava era bem no centro, esquina entre a Rua Harling e a Avenida Berling. Era um prédio sofisticado com paredes de vidro e com um belo jardim na entrada, havia ao lado desse jardim de margaridas e rosas uma entrada para estacionamento no subsolo e acima da porta de entrada havia uma placa elaborada em bronze que dizia “Departamento de Investigação da polícia de Manhattan”.
O prédio em si era altamente protegido, as janelas tinham uma blindagem especial que impedia qualquer disparo efetuado de fora, o sistema de alarme eletrônico funcionava através de cartões sofisticados que não podiam ser copiados, era tecnologia israelense e eu conhecia essa tecnologia bem de perto.
Por ser um prédio de esquina não havia uma forma de entrar pelo telhado, mas mesmo que houvesse a entrada seria bem dificultada em razão do sistema de ventilação que ocupava todo o terraço. Só havia uma forma de entrar naquele prédio sem ser detectado: Pela porta da frente.
Estacionei a algumas quadras do prédio do detetive, eu ainda não sabia seu nome, mas ele certamente precisava desaparecer do meu caminho e do caminho da Victoria.
Se ela não se parecesse tanto com a Susan eu nem ligaria... E se ela for realmente a Susan eu... Não! A Susan está morta e essa tal de Victória é apenas muito parecida com ela. Se ela for pega eu também serei. Tenho que ajudar ela.
Caminhei lentamente na direção da porta de entrada do prédio, eu vestia uma jaqueta de couro preta e calça jeans, meu cabelo estava penteado para o lado e meu rosto era a total expressão de seriedade.
A porta se abriu quando me aproximei e logo ao passar por ela eu dei de cara com a recepção onde havia um sujeito aparentemente estressado e com o botão da gola da camisa social desabotoado, ele me olhava com indiferença e ao me aproximar ele disse:
- No que posso ajudá-lo senhor? – a sua fala arrastava indicava que ele odiava aquela fala decorada.
- Olá, eu me chamo Gerald e tenho uma entrevista marcada com o detetive dessa divisão. Assuntos relacionados à Polícia de Detroit.
O rapaz olhou para o seu computador, depois para o relógio e novamente para o computador, em seguida disse:
- Desculpe, mas o Detetive McKendal está em uma reunião nesse momento e eu não estou encontrando o registro do seu agendamento aqui.
Eu fingi ter me irritado com a resposta dele e argumentei de forma a parecer que estava enfurecido:
- Minha secretária deve estar de brincadeira comigo! Ela sabe o quanto isso pode custar?! É um caso de segurança nível 3! Vou ligar para ela agora mesmo!
O sujeito ficou com medo e disse de forma hesitante:
- Fique calmo senhor, eu posso tentar agendar daqui mesmo, afinal ele fica todos os dias aqui, ele nunca vai para casa então posso tentar te encaixar e...
- Não se preocupe meu jovem... – eu me virei e fiquei de costas para ele, notei que haviam três câmeras apontadas para a recepção, e somente uma apontada para o elevador que vinha do subsolo, em me virei novamente visivelmente mais calmo – Ele está aqui todos os dias, correto? Então falarei para ela marcar uma nova reunião para daqui a três dias, e que os céus a ajudem se ela não conseguir fazer isso.
O jovem da recepção ficou assustado e assentiu com a cabeça de forma rápida e tímida. Eu olhei para seu crachá e notei que havia um código de segurança no objeto, possivelmente era esse código que fazia a porta do estacionamento se abrir para ele.
Sai pela porta da mesma forma com que entrei, como alguém que nem estivesse lá.
Entrei no carro novamente e segui pela estrada a caminho da minha casa. Enquanto o sol brilhava do lado de fora do carro, meus pensamentos ainda se mantinham na garota com quem passei a noite, ela tinha um corpo atraente (igual ao de Susan), um jeito de falar muito ousado (igual ao de Susan) e a selvageria na cama a qual não conheci por parte da Susan.

Eu sabia que ela estaria lá me esperando quando voltasse, e era exatamente disso que eu precisava no momento: alguém com ódio incontrolável.

Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
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