O Serviço do Departamento - Poison Minds (EP 16)

16 – O SERVIÇO DO DEPARTAMENTO



O relógio do painel do meu carro marcava 14h27min quando estacionei meu carro na entrada da minha “casa temporária”, Victória estava sentada nos degraus de madeira em frente à porta de entrada com as mãos nas têmporas possivelmente tentando sanar uma dor de cabeça. Ela vestia uma camiseta regata preta e uma calça jeans um pouco velha e surrada, seu cabelo estava amarrado em um rabo de cavalo e ao ver meu carro estacionar ela se levantou e caminhou na minha direção dizendo:

- Até que enfim! Eu estava cansada de ficar sozinha nesse fim de mundo!

- Não precisa fingir que estava ansiosa pela minha chegada – eu disse enquanto descia do carro – E francamente falando a ideia desse lugar é realmente ficar sozinho. Não reclame.

- Você é muito irritante, sabia? Mas eu gosto de você e...

- Victória, Susan ou qualquer que seja o seu nome. Pare. Eu sei que você quer me matar então pare com essa falsa aproximação, eu odeio isso.

A garota ficou instantaneamente surpresa e entrou na defensiva dizendo:

- Eu não sei do que você está falando.

- Minha casa é cercada de microfones e câmeras, eu só precisei me conectar ao sistema e consegui ver você falando sozinha na minha sala enquanto comia uma tigela do meu cereal do palhaço e, só para constar, aquilo foi bem bizarro. – eu fui sincero, havia achado aquilo realmente bizarro.

A garota suspirou como se tivesse sido pega em meio a uma traquinagem de criança, ela simplesmente sentou no capô do meu carro e disse de forma triste:

- Você não entenderia...

- Fantasmas do passado. É esse o lance não é?

- Quase isso.

- Sabe... Eu te entendo. Depois de matar tantas pessoas você acaba preso a essa ideia de que seus espíritos vão voltar para te pegar, mas é tudo coisa da sua cabeça. Uma hora você se acostuma.

- Bom, o problema é que eu estou me sentindo vulnerável perto de você e isso aumenta ainda mais minha vontade de matar você. – a sinceridade dela era tão graciosa.

- Se você tentasse fazer isso, eu provavelmente te mataria... – suspirei um pouco, não era comum conversar tanto tempo com alguém – E em uma hipótese remota de você conseguir me matar, você seria pega pela polícia e sentenciada a cadeira elétrica e ficaria igual a um bacon.

A garota se assustou com algo que eu disse e se aproximou um pouco mais de onde eu estava e eu resolvi sentar ao lado dela e ela colocou uma das suas mãos em meu ombro, dizendo:

- O que você disse?

- É, tipo, quando você frita o bacon ele fica quentinho e macio e...

- Não estou falando disso! Você falou sobre polícia?

- Ah, sobre isso. Sim, eles estão atrás de nós, tem um detetive novo na cidade só para isso. Ele parece ser bom e está decidido a nos encontrar. Eu vou entrar, preciso beber um pouco.

Eu saltei do carro e caminhei para dentro da minha sala de estar, apanhei uma garrafa de Bourbon no armário e despejei um pouco em um copo próprio para a bebida. Victória entrou logo em seguida e sentou em uma das poltronas vermelhas que havia na sala, algumas gotas de suor escorriam por sua testa e seu pescoço e imagino que ela queria mesmo um ar condicionado naquele momento.

- Pelo que eu soube desse detetive, ele está querendo encontrar os assassinos da região, ele tem uma boa equipe e uma sede bem protegida, vai dar um pouco de trabalho impedir ele de nos achar, ainda mais se considerarmos que alguém pode estar deixando digitais nos cadáveres.

- Eu pego tudo da cena do crime. Não me ensine como fazer meu trabalho.

- Dos seus últimos, abre aspas, trabalhos, fecha aspas, você deixou todos os corpos para serem encontrados. Isso não é fazer seu trabalho de forma correta.

- E o que você sugere? – ela parecia disposta a me escutar e isso era significativamente bom, já que Susan nunca me escutava.

- Um corpo sumiu, outro explodiu em um incêndio na casa, o outro foi limpo de qualquer digital ou vestígio e o outro teve seu coração arrancado, mas nenhum sinal de presença no local. Isso é fazer um trabalho bem feito.

A garota tentou se defender e eu a interrompi antes mesmo de dizer algo:

- Se a polícia te encontrar eles podem acabar me encontrando também e isso seria muito ruim, então no caminho para casa eu imaginei uma forma bem legal de nos livrarmos desse tal detetive e de todo o pessoal dele.

O suor da garota começou a incomodá-la a tal ponto que ela decidiu tirar a camiseta regata e ficar apenas de sutiã e calça jeans, seu corpo ainda estava com alguns hematomas e arranhões, mas nada que fosse aparentemente grave.

- Como vamos nos livrar dele? – ela perguntou enquanto usava a camiseta como um abanador.

- Através de um plano bem detalhado que eu chamei de O serviço do Departamento. – caminhei até a geladeira, apanhei uma garrafa de água e joguei para a Victória que agradeceu com um sorriso – Nós vamos entrar no prédio e matar todo mundo, destruir os arquivos e depois ir embora como se nada tivesse acontecido.

A garota cuspiu um gole d’água que estava bebendo e disse:

- Como vamos entrar lá e simplesmente explodir tudo?! Você mesmo disse que eles têm segurança em potencial e são bons.

- Vamos conseguir porque temos um plano de ação com zero chance de falha. Quer dizer, ele pode falhar se considerarmos o fator humano e... Esqueça. Ele vai funcionar.

- E qual plano é esse?

- Ele funcionará em três passos. – caminhei até a poltrona em que ela estava sentada e disse – Primeiro você precisa seduzir o recepcionista e pegar o crachá dele, somente aquele crachá permitirá com que possamos descer para a garagem que será nosso ponto de entrada. – sentei-me ao seu lado e peguei a garrafa de água, bebendo um pequeno gole – Depois nós precisaremos de um uniforme de entregador dos correios, eu vou entrar lá disfarçado e analisar a sala do detetive e desabilitar a segurança do local através de um malware que peguei emprestado do exército quando ainda era um agente especial. – levantei da poltrona e caminhei até o sofá em que estava sentado inicialmente – Por último nós precisaremos de equipamento tático, armas, granadas e proteção individual, isso nós já temos devido a minha mania de perseguição e graças a isso eu montei meu arsenal próprio para guerra, mas você precisa treinar o uso de armas de fogo se quiser sair de lá viva.

- É um plano bem complicado eu diria, mas pode dar certo.

- Dará certo. E no final nós vamos invadir pela garagem, o malware vai desativar todos os equipamentos eletrônicos num raio de quinhentos metros, o que vai garantir que nenhuma câmera vai registrar nossa entrada e saída do local. Subindo pelas escadas nós vamos aproveitar a escuridão e o fato dos alarmes não estarem funcionando para invadir e destruir a recepção com granadas térmicas, fechando assim a entrada e impedindo qualquer um de entrar. Depois vamos matar todo mundo e explodir todo o prédio, matar o delegado é imprescindível. Vamos embora pela janela e saltar no gramado, iremos embora com meu carro blindado e sumiremos do mapa.

A garota começou a aplaudir e disse de forma espontânea através de um sorriso maléfico:

- E como eu encontro esse tal de Gerald?


Então comecei a lhe explicar o primeiro passo do serviço...

Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
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