Planejamento: Crachá - Poison Minds (EP 17)

17 – PLANEJAMENTO: CRACHÁ



 Já de acordo com o plano, sigo com o combinado, me dirijo até o prédio e rondo o local até o início da noite, então me sento no banco em frente ao local. E a descrição do Orfeu foi fiel, vejo sair um homem jovem, cabelo desgrenhado, roupas amassadas e visualmente desesperado e perturbado, olhando para os lados como se perseguido por alguma besta. Observo por alguns minutos, afim que ele note minha presença. 

Ele anda rapidamente até que seu telefone toca, os gritos de um homem muito irritado do outro lado da linha são tão altos que posso ouvir, ele tenta falar, mas gagueja, um grito tão alto faz o garoto tropeçar e derrubar uma pasta no chão, espalhando as folhas por toda calçada. Levanto-me rindo para ajudá-lo, ele põe o celular no bolso novamente e abaixa para pegar as folhas enquanto pego a pasta.

– Obrigado. – Ele não olha no meu rosto, somente segura a pasta e tenta puxar, mas continuo segurando. 

Você parece nervoso, está tudo bem? – Ele direciona seu olhar para os meus olhos e eu sorrio gentilmente. 

Está sim. Acho que provavelmente você conseguiu ouvir os gritos, não é? 

Sim. – Rimos. – Bom eu não sou dessa parte da cidade, estava procurando algum lugar para jantar, alguma sugestão? 

– Tem muitos lugares bons por aqui, depende do está procurando, eu conheço alguns devido às reuniões, tem um mais formal a mais ou menos 20 minutos daqui, tem um bar legal no bairro ao lado, tem uma pizzaria também por aqui perto em algum lugar... 

Parei de ouvir o resto da frase. A voz do sujeito começou a me irritar de uma forma inimaginável, ele está descrevendo com todos os detalhes todos os restaurantes da cidade. 

– Qual o mais próximo? 

– Tem um a duas ruas daqui. 

– Serve. Me acompanha? – Ele parece não acreditar na proposta. 

– Será um prazer. 

– A não ser que você tenha algum compromi... – Ele não me deixa completar a frase.

– Não, estou livre. – Ele sorri animado e caminhamos até tal local. 

Chegando ao local, sentamos e ele não parou de falar sobre a cidade, pontos importantes, e qualquer outra coisa que eu não estava ouvindo, eu só estava sorrindo de forma que ele não percebesse que eu não estava ouvindo nenhuma palavra que ele estava falando. 

– Desculpe, mas eu não sei seu nome. – Ele pronuncia enquanto olha o cardápio.

 – Bárbara. 

– Me chamo Gerald. – Direciono meu olhar para o crachá ainda preso em seu bolso. 

– Eu notei. – Ele riu sem graça. 

O silêncio se instaura até que decido chamar o garçom, eu nem se quer ouvi direito o que ele pediu, mas pedi o mesmo e uma taça de vinho, já que terei que aguentá-lo, não farei isso sóbria. O telefone dele toca novamente em cima da mesa, ele olha com receio e eu tomo a vez. 

– Permita-me. – Pego o celular e tiro a bateria e coloco novamente ali. Ele me olha assustado.

– Fale que seu celular descarregou. Seu trabalho te ocupa tanto dessa forma? – Ele assente com a cabeça. – O que você faz? 

 Ele mal abre a boca e eu já sinto que se passaram horas, os pedidos finalmente chegam e ele continua falando. Acabamos de comer e ele continua falando, eu só consigo pensar nas formas possíveis de mata-lo com o que eu tinha na mesa, mas eu não devo matá-lo porque prejudicaria na execução do plano, as ordens foram claras, talvez eu devesse matar o Orfeu por me colocar nessa. Ele percebe que minha mudança de feição.


Você provavelmente deve estar entediada com tudo isso. Eu sei que falo demais. – Acho que já está na hora de fazer o que eu tenho que fazer.

 – Você trabalha demais, quando foi a ultima vez que se divertiu? – Ele notou que meu tom de voz mudou, minhas pernas acariciam as dele por debaixo da mesa. Ele cora. 

– Faz um bom tempo, eu realmente trabalho muito e...

 – Por que não vamos para um local mais reservado? – Ele afrouxa a gravata e pede a conta. 

Dali nós pegamos um táxi e seguimos até o motel já antes decidido por mim, pego o celular e envio uma mensagem para o Orfeu: BUSQUE-ME EM 20 MINUTOS. Era o que eu precisava, 20 minutos. 

No caminho ele acaricia minhas coxas, mas eu não ligo, somente olho para a janela e observo o movimento na rua, repassando mentalmente cada passo de nosso plano. Chegamos até a suíte e observo bem ao redor, havia uma porta separando o quarto de onde estávamos e a chave estava do lado de fora, onde estávamos tinha uma mesa, um frigobar e uma poltrona, então me aproveitei da situação, peguei a pasta e minha bolsa e coloquei em cima da mesa, o conduzi até o sofá e o empurrei, ele sorriu. Então me sentei em cima dele, tirei sua gravata, sua mão se conduzia até o crachá, dei um tapa de leve e desabotoei sua camisa, beijei seu pescoço, tirei sua camisa e joguei no chão, abri seu cinto, enquanto seu corpo ia se deixando levar pelos meus beijos.

– Me espere nu no chuveiro. – Ele riu e saiu andando olhando para mim enquanto eu fingia tirar os sapatos. 

– Eu vou te esperar, mas não demora. – Ele não imaginava o quão patético soava aquela frase. 

– Eu já estou indo. – Enfim ele vai até o banheiro. Então pego o crachá rapidamente, pego minha bolsa e saio silenciosamente. 

Do lado de uma árvore na esquina do motel está o carro de Orfeu, então entro e ele sai com o carro, jogo o crachá em cima dele. 

– Esse cara é um babaca, teria sido menos entediante se ele não falasse tanto. Matá-lo teria sido mais fácil. – Ele me olha rapidamente como se achasse engraçada a situação e continuamos o caminho. – Que venha o próximo passo.

Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
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