Planejamento: Uniformes - Poison Minds (EP 18)

18 – PLANEJAMENTO: UNIFORMES


Depois de pegar o crachá, precisávamos interceptar um caminhão de entregas dos correios para que pudéssemos render os funcionários, pegar os uniformes e então entrar no prédio como disfarçados de entregadores para que descobrir quem era o detetive e qual o nível de segurança da sala dele.

Enquanto eu rastreava a rota do caminhão de entregas a Victória resolveu conversar um pouco:

- E então Orfeu, qual é o próximo passo?

- Eu vou parar o caminhão de entregas e vamos render os motoristas, você vai amarrar eles e colocá-los na traseira do caminhão enquanto eu pego o uniforme deles e sigo para o escritório do detetive.

- Tá, e como vamos fazer isso?

- Temos que fazer isso tudo em um minuto, se o rastreador do caminhão detectar desvio ou demora na rota, ele vai disparar o alarme. Teremos que fazer isso tudo de forma bem rápida. – o software de rastreamento dos correios informou onde estava o veículo mais próximo e eu concluí – O próximo vai passar aqui nessa rua daqui a dois minutos. Prepare-se!

Entreguei uma pistola na mão de Victória e me escondi atrás de um arbusto, pedi para que ela ficasse no meio da rua parecendo desorientada e com a arma guardada no bolso. No fim da rua já era possível ver o carro de aproximando e o plano precisava acontecer.

Acenei para Victória e então ela acenou para o caminhão de entrega que se aproximava, a garota fez com que o caminhão parasse e então percebi que havia apenas o motorista, ela se aproximou e falou com uma voz bem doce:

- Olá senhor, você pode me ajudar com uma coisa?

O homem que devia ter alcançado seus quarenta e tantos anos e parecia estar bem animado com a ideia de uma mulher de 21 anos querendo conversar com ele, mas infelizmente (para o entregador) era apenas uma armadilha. Assim que ele parou eu surgi por trás do arbusto e abri a porta do veículo apontando minha Magnum para o motorista, a Victória que parecia estar um pouco assustada com o fato de portar um revólver acabou dizendo:

- Para trás do carro meu chapa. Rápido!

- E tire seu uniforme, nós vamos fazer uma entrega num lugar próximo daqui. – eu completei.

O homem seguiu rapidamente para o baú do veículo e retirou o uniforme enquanto eu já seguia a rota que estava programada no GPS. Tomei o cuidado de escolher um entregador que tivesse na sua rota a Rua Harling, que era o endereço do escritório do detetive. Peguei o uniforme pela portinhola entre a cabine do motorista e o baú e enquanto seguia dirigindo até a Rua Harling e o escritório do detetive, eu comecei a conversar com Victória:

- Como está o nosso amigo aí dentro?

- Ele está se comportando bem. O que faremos com ele? – ela respondeu.

- Se ele se comportar ele pode seguir sua vida como se nada aqui tivesse acontecido. – nesse momento pude ouvir o sujeito suspirar de alívio.

Depois de alguns segundos de silêncio, Victória decidiu que queria fazer algumas perguntas:

- Ei Orfeu, estou com uma dúvida. Você já entrou lá, não é? Como vai entrar novamente sem que te reconheçam?

- Existe uma entrada de serviço apenas para entregas, ela geralmente fica ao lado da garagem. E mesmo que eu entrasse pela recepção, o Gerald não está lá, é dia da folga dele. – eu respondi prontamente.

- Como você sabe disso?

- Conheço um cara que conhece um cara que me contou. – o que de fato era verdade, eu realmente conhecia muitos caras.

A garota suspirou e perguntou em seguida:

- E como você vai entrar lá?

- Tem uma caixa bem grande aí atrás, ela será o meu passe de entrada. Nenhum recepcionista que se preze iria querer carregar, então ele vai me mandar levar até a sala do detetive e entregar pessoalmente.

- E como essa caixa veio parar aqui?

Tomei cuidado para não perder o controle do veículo enquanto olhei para trás, sorri maliciosamente e disse:

- Eu conheço um cara.

Victória começou a rir e decidiu não fazer mais perguntas. Estacionei o caminhão em frente ao jardim do prédio, caminhei até a traseira do veículo e abri a porta bem levemente, para que ninguém que passasse por ali pudesse ver o que havia dentro, lá estavam alguns pacotes e envelopes endereçados a centenas de pessoas, Victória encarando o revólver em sua mão e o entregador sentado em cima de uma caixa e rezando.

Ajeitei o boné marrom na cabeça, peguei a caixa consideravelmente grande e caminhei até a entrada, anunciei que tinha uma entrega destinada ao Detetive McKendal e tal como eu planejei ao ver o tamanho da caixa à bela recepcionista pediu para que eu mesmo levasse a caixa para a sala do detetive.

Passamos por algumas portas de vidro e chegamos a uma sala onde a mulher loira e de corpo “bem delineado” anunciou dizendo:

- Pode deixar em cima da mesa – seu sorriso era encantador.

O detetive não estava no local (ter escolhido o horário do almoço para entrar foi uma bela jogada), mas sua foto estava em cima da mesa e era possível ver o rosto do sujeito que merecia morrer: sobrancelhas grossas, bigode expressivo e a barba por fazer, era um sujeito que parecia ser simpático e ao mesmo tempo muito sério.

Enquanto colocava a caixa em cima da mesa eu olhei ao redor de todo o cômodo, somente uma câmera e nada mais. Aquilo facilitaria em muito a invasão.

Agradeci a recepcionista e saí pela porta da frente como um exímio entregador de correspondências. Entrei no caminhão e segui com a rota programada, parei na esquina da Baker Street, local da próxima entrega, tirei as roupas de entregador e vesti as minhas próprias, joguei-as pela portinhola do baú do caminhão e disse para o entregador refém:

- Vou te contar o que vai acontecer agora meu chapa. Nós vamos embora e daqui a dois minutos você vai sair e seguir com suas entregas. Ninguém nunca saberá do que aconteceu aqui. Entendeu?

- É... Sim, eu entendi... – o homem estava apavorado e aliviado ao mesmo tempo.

Victória desceu do caminhão e nós caminhamos alguns metros até o meu carro que já estava estacionado na Rua Baker Street desde a manhã daquele mesmo dia. A jovem que me acompanhava se surpreendeu ao encontrar meu veículo ali e disse:

- Como você sabia que iríamos parar aqui?

- Quando eu disse para você que eu havia planejado tudo, eu realmente havia planejado.

A garota parecia assustada e ao mesmo tempo curiosa. Entramos no carro e seguimos em direção a minha casa e pouco antes de chegarmos à estrada principal, Victória (que decidiu que naquele dia em questão faria muitas perguntas) perguntou novamente:

- Mas Orfeu, se você já estava lá dentro por que não atacou o escritório e explodiu tudo de vez?

- Porque eu morreria. Ou porque eles me matariam, ou porque eu me mataria por jogar fora um plano totalmente estruturado e organizado. Agora precisamos apenar treinar você. O carro para a entrega do PEM e a invasão será preparado hoje à noite durante seu treinamento. Amanhã é o dia da invasão. Espero que esteja pronta.

- Eu estarei Orfeu... Eu estarei... – retrucou Victória enquanto engatilhava maleficamente o revólver que lhe entreguei.

O golpe se aproxima...

Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
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