Golpe Final - Poison Minds (Episódio Final)

21 – GOLPE FINAL

                Trilha sonora sugerida:




Estacionei o carro calmamente no estacionamento ao lado de alguns outros carros, desci despreocupadamente do veículo porque sabia que nenhuma câmera estava funcionando no prédio desde o dia anterior, Victória desceu em seguida e caminhou ao meu lado em silêncio, senti que ela estava um pouco tensa e decidi quebrar o gelo brincando:

- Sabe, eu estou pensando em dizer alguma frase de efeito na hora de entrar... Tipo, “É hora de morrer”!

A garota riu e respondeu:

- Não acho que seja uma boa ideia, escolha uma frase melhor.

A tensão entre nós diminuiu um pouco, entramos no elevador e faltavam apenas dez segundos para chegarmos ao andar térreo e começar a operação, eu olhei para Victória que parecia estar ansiosa e não tensa e perguntei:

- O que você fará depois que formos embora?

- Se nós sairmos vivos?! – Victória gargalhou e aquilo foi realmente engraçado – Se sairmos vivos eu vou atrás da minha família, saber o que aconteceu com meu pai verdadeiro, sei lá... E Você?

- Bem... Eu acho que eu deixaria de matar as pessoas... Vou viver uma vida mais calma... Já cumpri minha vingança...

No momento em que o elevador parou no andar correto eu segurei com firmeza o controle remoto o P.E.M. e sussurrei para Victória que já estava com a faca de combate pronta para o ataque:

- Vai começar...

Apertei o botão com força e de repente todo o prédio apagou, todos os equipamentos que utilizavam circuitos foram fritados eletronicamente, dava pra ouvir algumas pessoas reclamando da falta de luz quando a porta do elevador abriu subitamente revelando os dois soldados supremos enviados do inferno: Orfeu, o Demônio Imortal e Victória, o espírito da Morte.

A nossa blindagem era muito superior a qualquer uma já vista naquela cidade, nada poderia atravessar aquela super blindagem e isso fazia com que nossos ataques fossem extremamente efetivos e sem qualquer possibilidade de serem parados.

Assim que as portas se abriram Victória saltou para o balcão da recepção onde Gerald estava estupefato com a visão que tinha, dois soldados extremamente armados invadindo o quartel de operações da polícia e ao tentar puxar o revólver de sua cintura, foi fatalmente atingido no pescoço pela faca de combate de Victória que cravou a lâmina em sua jugular e puxou deixando o sangue escorrer pela mesa de vidro.

- Eu disse que ele seria morto pela minha faca! – gritou Victória que parecia satisfeita com o abate.

- Minha vez! – eu gritei em resposta.

Atirei com o lança-granadas no teto da entrada do prédio e esta desabou instantaneamente impedindo a entrada ou saída de qualquer pessoa. A explosão causou um barulho tremendo e os ferros retorcidos e pedaços de concreto chamuscando caindo no chão não deixaram por menos.

Após a explosão ficou bem claro para todo mundo que se tratava de uma invasão e os policiais já estavam se mobilizando para nos atacar, com pistolas na mão e coletes a prova de balas simples, cerca de dez policiais tentaram nos parar ainda na recepção e atiram diversas vezes contra nós dois, os disparos não surtiram qualquer efeito e em resposta eu peguei a metralhadora de combate em minhas costas comecei a atirar diretamente contra eles. Eles foram varridos da face da terra em menos de dez segundos.

Com um chute eu abri (e destruí) a porta da sala de operações onde todos já estavam devidamente sob cobertura, por entre os computadores e mesas de madeira dispostos pela sala, acredito que havia cerca de vinte e cinco policiais, destes vinte e cinco, dois ou três portavam armas de calibre intermediário.

Victória foi surpreendida com uma mesa que foi lançada contra ela e com perfeita maestria a garota rolou por cima do móvel que atingiu a parede com força, pegou o fuzil que portava e começou a disparar contra os policiais, os que tentavam se esconder atrás das mesas ou colunas eram surpreendidos por meus tiros. Enquanto ela ficava na entrada da sala atirando em todos, eu me movia pelos cantos e acabava com aqueles que estavam se escondendo.

Num momento de distração um sujeito pulou nas minhas costas e tentou arrancar meu capacete, eu coloquei as mãos para trás e agarrei o pescoço do sujeito, fiz um movimento improvisado do judô jogando-o no chão e pisei em tórax com o coturno da armadura e esmaguei tudo o que havia dentro do tórax dele. Foi possível ouvir em meio aos tiros o som dos ossos se quebrando e seu grito arfado e depois a vida lhe escorrendo pela boca.

Uma policial tentou investir contra mim e foi interceptada por Victória na metade do caminho. Victória agarrou seu cabelo e puxou com força e quando o corpo da policial foi lançado para trás ela empalou a infeliz servidora da lei com sua faca de caça na região do coração.

Computadores estavam sendo despedaçados, sangue estava jorrando na parede, pessoas gritando e explosões consecutivas faziam a orquestra daquele momento. Um sujeito tentou correr e escapar pela janela, mas foi capturado por mim que com um chute o joguei na parede e com um soco direcionado ao rosto do homem, acabei por esmagar seu maxilar.

Na sala seguinte dois policiais com uma blindagem um pouco superior a dos demais nos aguardavam com escopetas e assim que abri a porta fui recebido com um tiro no peito e fui jogado para trás e arremessado no chão. Victória na tentativa de me proteger puxou novamente seu fuzil e disparou incansavelmente contra os dois que estavam sob a cobertura de uma coluna de concreto.

- Isso doeu... – eu disse em meio a um riso.

Ao me levantar eu peguei minha metralhadora e joguei no chão, peguei o lançador de granadas e atirei contra a coluna que explodiu num estrondo horrível, a explosão fez com que os dois policiais tivessem de sair dali e no momento em que eles correram para se salvar, Victória atingiu um com um chute nas pernas e o derrubou e o outro encontrou meu braço estendido no ar para pará-lo.

- Sinto muito galera, mas vocês morrem hoje! – eu gritei com um tom de voz grave.

O sujeito que eu derrubei tentou mirar a arma novamente contra mim, mas eu segurei o cano da escopeta e mirei para parede, dei um soco no rosto do sujeito e joguei a arma para longe dizendo:

- Vamos lutar de homem para homem!

O policial tentou correr para agarrar a arma, no entanto eu o atingi com uma joelhada no estômago, ele se arqueou e o atingi com um ganho de direita e o lancei no chão, ele prontamente rolou para trás e tentou investir contra mim novamente, eu segurei o punho do sujeito e o virei de costas e acertei um chute certeiro no inicio de sua coluna e foi possível ouvir o quebrar dos ossos. Ele caiu no chão agonizando então eu segurei seu pescoço e o ergui no ar, dei dois passos para frente e saltei segurando seu corpo e (acredite ou não) o enterrei no chão como se fosse uma bola de futebol americano. Seu pescoço quebrou instantaneamente.

Victória estava lutando de igual para igual com o sujeito que derrubara, ela desferiu alguns golpes contra seu rosto e ele os revidou, o azar do policial é que ele não percebeu minha aproximação e quando eu o atingi com um chute nas costas ele pendeu para frente e caiu nas mãos da Victória que com uma gargalhada sinistra, fez força com as duas mãos e quebrou o pescoço do outro policial.

- Só falta mais uma sala. – eu disse com total frieza.

- Então será o fim dele! – Victória gritou em resposta.

Com outro chute muito forte eu abri a última porta e gritei:

- Detetive McKendal! Entrega especial para você!

Quando entramos na sala o detetive que já estava a nossa espera, ele tentou pularem cima de mim e me atingir com um dardo possivelmente venenoso, mas para seu infeliz destino eu percebi o ataque e agarrei a cintura do sujeito ainda no ar, o ergui como se fosse um travesseiro velho e bati com sua coluna no chão do prédio que rachou imediatamente.

O grito do detetive McKendal ecoou por todo o andar e naquele momento eu senti que só havia nós dois ali. O sujeito alto, aparentemente forte e que estava destinado a caçar incansavelmente os dois assassinos em série da cidade. Ele estava jogado no chão, aparentemente derrotado e com sangue saindo por seu nariz.

- Foi tão fácil assim? – sussurrou Victória que estava confusa.

- É assim que o detetive mais famoso do país foi derrotado? Você não me apresentará qualquer desafio? – eu gritei para o homem que estava jogado no chão ainda se contorcendo de dor.

- Não será tão fácil assim... – retrucou McKendal.

O detetive apertou algum botão em seu relógio que ativou lançadores de granadas embutidos na parede, as armas surgiram de repente e dispararam contra Victória e eu. Uma granada atingiu Victória em cheio em seu peito e outra em cheio no meu abdômen e fomos ambos jogados para longe.

Victória quebrou uma parede ao se chocar contra ela e ficou tossindo no chão por alguns momentos.

- O que foi isso?! – ela gritou por entre a tosse.

Eu havia sido jogado contra outra parede e também a quebrei, ao levantar dos escombros eu respondi ainda arfando de dor:

- Ele tem... Lançadores de granadas... Menores que o meu... Mas muito potentes...

McKendal estava se recompondo enquanto assistia Victória e eu nos levantando dos destroços, a nossa blindagem segurou o golpe o máximo que pôde, mas agora ela já não aguentava nem mesmo um tiro de calibre 22.

- Como é possível que vocês estejam vivos?! – o sujeito estava espantado.

Eu estralei os ossos do pescoço e disse:

- Porque eu sou invencível!

Eu comecei a correr contra o detetive que havia gasto sua última carta na manga no ataque anterior, ele estava estupefato, paralisado de medo ao me ver correndo contra ele, ele não se moveu nem um milímetro enquanto eu me aproximei trazendo o eu fim.

Eu corri na direção do detetive e acertei seu peito com um golpe muito forte, as chapas de titânio na luva da armadura atravessaram a pele do sujeito e eu pude ouvir seu coração explodir, o sangue jorrou por sua boca e ele foi jogado contra a parede, atingiu-a com muita força e caiu no chão sem respirar.

Olhei para trás e Victória já estava recomposta, ainda com a armadura esfumaçando por conta da explosão, ela se aproximou de mim e com a voz transparecendo completo alívio ela perguntou:

- Então finalmente acabou?

- Sim...

- E como vamos embora daqui?

- Assim...

Retirei a pistola da cintura e disparei contra o vidro da janela que se estilhaçou, eu saltei pela janela e Victória saltou em seguida. Apanhei uma granada de mão no cinto e atirei-a pela janela da sala do detetive, segundos depois ela explodiu e varreu tudo o que havia dentro do local.

O prédio inteiro estava em chamas, destroços se soltando da estrutura a todo o momento e pequenas explosões a cada segundo, o prédio inteiro ia desabar e estava na hora de fugirmos.

Havia um carro muito velho parado algumas quadras a frente de onde estávamos, eu apontei para o veículo e disse:

- Podemos usar aquilo para fugir.

- Mas você disse que o P.E.M. fritou todos os circuitos num raio de quinhentos metros...

- Aquele carro é tão velho que não utiliza circuitos... – eu comecei a correr na direção do carro e completei – Eu me surpreenderia se ele não fosse ligado através de uma manivela.

Entramos no carro e conseguimos o fazer funcionar com um grampo de cabelo e uma faca (carros antigos não são exemplos de segurança). As sirenes já se aproximavam e nós olhamos um para o outro e dissemos em uníssono:
- Acabou. Finalmente acabou.

Eu dei partida no carro e sumimos no horizonte antes de as viaturas começarem a chegar ao local.

É difícil largar alguns hábitos, eu penso que desistir de matar é algo muito radical, mas ela iria querer assim... Victória me transmite sentimentos bons que só a Susan me transmitia... Creio que sei porque somos tão parecidos... Afinal, é isso o que nós somos... Homens com as mentes envenenadas e corrompidas pelo mal... Nós somos os assassinos de motel...


Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
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