Só Por Hoje e para sempre


Só por hoje, uma das músicas que mais ouço, uma das que mais me identifico. Não só nós versos, mas também no livro em que o compositor dessa música passa 29 dias internado em uma clínica de reabilitação.
Renato Manfredini Junior foi um jovem revolucionário no cenário da música Brasileira ao lado de outro grande poeta da música Agenor de Miranda Araújo Neto. Não será uma comparação entre Renato Russo e Cazuza, pois ambos tiveram momentos diferentes, embora no final um completasse o outro, sorte seria da música atual se surgisse um carinha com a formula unida, diferente de Cazuza e Renato que eram a formula separada.
Mas, voltemos ao assunto, certo?

Só por hoje é um livro que foi feito a partir do diário de Renato, e eu como apreciador de sua obra – não digo fã, mesmo eu defendendo sua obra com unhas e dentes, me considero apenas conhecedor de toda a sua obra, colecionador. Mas fã, já foi esse tempo de “Burguês sem religião”. -, precisava muito tê-lo, eu queria entender um pouco mais sobre o que se passava na cabeça do Renato, e em alguns trechos me pegaram de jeito, as orgias, o álcool, drogas, a depressão.
Não é segredo para nós que Renato era solitário, conturbado consigo, Renato preferiu a morte do que a vida, e antes de julgar essa minha frase, pesquise mais sobre ele, ele era um suicida, tinha pensamentos, assim como eu também tenho. Assim como seu melhor amigo, assim como seus pais podem ter; assim como você pode ter e finge esconder, assim como a maioria faz e esconde e é aí que vem as drogas, o sexo, o álcool. Renato explica tudo isso, Renato passou por tudo isso.
Lendo o livro, vi o quanto o ser humano é frágil, não que antes eu não soubesse disso, mas as coisas simples que podem expor uma ferida que quase nunca cicatriza, a não aceitação por quem você é, querer mostrar para todos que você é bom, tudo isso conta. Renato conta!

“Passei vinte e nove meses no navio
Vinte e nove dias na prisão
E aos vinte e nove com o retorne de Saturno
Decidi começar a viver.”
Trecho da música vinte e nove, poderia falar sobre as músicas do “O descobrimento do Brasil”, mostrar-lhes as músicas que ele fez sobre seus dias na tal “prisão”, aonde lhe fizera bem, não sabemos por quanto tempo lhe ajudou, mas ajudou. No livro, vemos um Renato, não o Russo porra-louca, que dançava freneticamente no palco, que mostrava ter uma liderança; mas vemos o Manfredini, vemos o Junior, o Renato longe dos palcos, o Renato sem esperança, o Renato que não sabe dizer “não”, o Renato sem motivação, vemos um Renato sem vontade de viver. No livro, embora pouco, conhecemos o Renato na forma como ele se via e que quem era próximo também via, porque uma coisa é você ser fã e admirar o cara com fãs fiéis, e outra completamente diferente é você entrar no mundo dele, saber o que ele era por trás da fama.










Heroína era sua droga favorita, lhe fazia sair do mundo, e é o que fazem que sofre de solidão, que sabe que tem pessoas ao são lado porque sabem o que você tem, e não o que você é. Renato fala sobre os gastos exagerados em noitadas, em garotos, a chegada ao fundo do poço, e a vontade de sair dela. 



Quando eu fui comprar meu livro, fiquei muito chateado pelo valor cobrado, para o tamanho do livro, pensei e ainda penso que eles venderiam mais se diminuíssem o valor para algo mais acessível, acho que traria mais retorno, até por quê, muitos fãs dele não teriam essa grana para comprar, e podem apostar, muitos não compraram por causa do preço do livro. Foi essa no meu ver, a única coisa que não gostei no livro, de resto, amei-o a primeira vista, o foda foi ter que ver que em muitas coisas eu me identificava.
No mais, eu super indico o livro. Leiam, entendam cada palavra, cada sentimento que é passado no diário, abram suas cabeças e leiam. Quem sabe eu não falo um pouco sobre cada letra do “O descobrimento do Brasil”?

“Viver é uma dádiva fatal
No fim das contas
Ninguém sai vivo daqui,
Mas vamos com calma.

Só por hoje
Eu não quero mais chorar.
Só por hoje
Eu não vou me destruir.
Posso até ficar triste se eu quiser
E é só por hoje
E ao menos isso eu apendi...”
- Trecho da música Só por hoje.*

*Só por hoje é a música que fecha o disco “O descobrimento do Brasil” lançado pela gravadora EMI em 1993. 


E como diz Renato Russo nessa música “Aprendi a viver um dia de cada vez...”,ou seja, ele disse tudo. Viva um dia de cada vez, e tente tudo de cada vez nem que seja “Só por hoje”.

Urban Legio Omnia Vincit

Força Sempre!

Anderson R.


Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
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