Rosa Pálida (Almeida Garret) - SEMANA DA POESIA

Se tens o desejo nobre de conhecer a literatura, sejais bem vindo a Fixação Literária!

Matéria Original por: Iago Victor

Esse evento tão especial não poderia deixar de trazer um poeta como esses. Estudei-o durante os tempos de Universidade e sei que muitos aqui já ouviram falar. Grandes poetas possuem seus nomes gravados na eternidade e esse escritor é um deles. Estou falando de Almeida Garret!

Na poesia de hoje da Semana da Poesia Fixação Literária eu lhes trago um de seus melhores escritos, uma poesia que faz parte da coleção de poesias particular que tenho. Não poderia deixar de mencionar que esse é sem dúvida uma das melhores poesias de amor nos clássicos da literatura.

Sem mais cerimônias, eu lhes apresento:
"Rosa Pálida" de "Almeida Garret", "Livro 1" dentro do livro "Folhas Caídas".

ROSA PÁLIDA

Rosa pálida, em meu seio
Vem, querida, sem receio
Esconder a aflita cor.
Ai! a minha pobre rosa!
Cuida que é menos formosa
Porque desbotou de amor.

Pois sim... quando livre, ao vento,
Solta de alma e pensamento,
Forte de tua isenção,
Tinhas na folha incendida
O sangue, o calor e a vida
Que ora tens no coração.

Mas não eras, não, mais bela,
Coitada, coitada dela,
A minha rosa gentil!
Coravam-na então desejos,
Desmaiam-na agora os beijos...
Vales mais mil vezes, mil.

Inveja das outras flores!
Inveja de quê, amores?
Tu, que vieste dos céus,
Comparar tua beleza
Às filhas da natureza!
Rosa, não tentes a Deus.

E vergonha!... de quê, vida?
Vergonha de ser querida,
Vergonha de ser feliz!
Porquê?... porquê em teu semblante
A pálida cor da amante
A minha ventura diz?

Pois quando eras tão vermelha
Não vinha zangão e abelha
Em torno de ti zumbir?
Não ouvias entre as flores
Histórias dos mil amores
Que não tinhas, repetir?

Que hão-de eles dizer agora?
Que pendente e de quem chora
É o teu lânguido olhar?
Que a tez fina e delicada
Foi, de ser muito beijada,
Que te veio a desbotar?

Deixa-os: pálida ou corada,
Ou isenta ou namorada,
Que brilhe no prado flor,
Que fulja no céu estrela,
Ainda é ditosa e bela
Se lhe dão só um amor.

Ai! deixa-os, e no meu seio
Vem, querida, sem receio
Vem a frente reclinar.
Que pálida estás, que linda!
Oh! quanto mais te amo ainda
Dês que te fiz desbotar.

Bateu aquela saudade de um certo alguém né? Sei bem como é rs'

Espero que vocês tenham gostado, eu sou Iago Victor e desejo a todos uma vida repleta de livros! Um grande abraço e até a próxima com mais da Semana da Poesia, só aqui na Fixação Literária!

Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
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