Além da Noite - #3

Além da Noite - #3

Parte 3/4:

1

   Claudia viu Joe andando pela calçada em direção ao mercado, lembrou de como ficava observando Bryan andando quando ambos eram jovens, embora pra ela, a juventude nunca tivera passado, mas para seu irmão mais novo sim, pra ele a pressão da idade chegou. Bryan era alto, bonito, mas já tinha alguns cabelos brancos, coisa que ela mesma não tinha. Bryan  tinha uma barriguinha aparecendo, e a vida dura do trabalho deixava-o estressado, pra ela, logo o irmão entraria em colapso.
   Claudia sabia também do amor platônico do sobrinho por ela, e talvez algum dia pudesse ajudá-lo com isso. Claudia pensava tudo isso enquanto observava o sobrinho andar pela calçada. Observou-o até sumir de sua vista, e virou para ir na direção da cozinha. Enquanto virava lembrara da comida do cachorro, ainda não tinha dado nada para ele comer, deveria estar faminto.

- Acertou, porca! - Disse algo de forma gutural - Ouviu meus pensamentos?

   Claudia atravessou a sala pelo ar, batendo na parede. Quando ela levantou e conseguiu olhar, viu aquele monstro, olhos famintos, enorme, tinha um cheiro tão horrível quanto sua aparência, o cheiro de queimado e enxofre que saia dele, olhou pra fora de casa e viu o céu em vermelho vinho, fogo caindo do céu, pessoas gritando, olhou de volta pra coisa enorme. Ele segurava seu enorme pênis, ele realmente não era humano, ele tinha mais de três metros, isso ela tinha certeza, e seu pênis quase tocava o chão, provavelmente se arrastaria se ele não tivesse segurando a coisa. 

- Quero brincar com você, titia! - A voz deixava Claudia imóvel, era uma mistura de vozes, era medonha também. O fedor que ele exalava faia Claudia chorar.

A coisa estava indo em sua direção, Claudia se espremia contra a parede, as pernas cruzadas, chorava agora de pânico.

- Sabe o que gosto nas pessoas, titia? O medo!

   A coisa foi com tudo para cima de Claudia, puxou-a pelos cabelos, socou o rosto, arrancou as roupas com suas enormes unhas, fazendo com que rasgasse sua pele, um de seus seios ficou pendurado, quase fora completamente arrancado. O outro, a coisa passava a enorme língua de cobra por ele, e de alguma forma, Claudia sentiu algo bom naquilo, a coisa começou a apertar sua cintura, ossos estalavam, sentiu uma dor percorrer aquela região, ouviu um estalo, com certeza algumas costelas se foram. 
   Claudia foi jogada no chão de novo, foi pisoteada, sendo pisada muitas vezes em seu rosto. 
   A coisa abriu as pernas dela, e enfiou seu membro. Claudia sentiu aquilo atravessá-la, era como se a coisa estivesse em sua garganta, podia sentir isso, tinha certeza disso. 
   Sentiu a coisa ejaculando dentro dela, em seguida ele levantou e saiu de perto, sentou-se e ficou olhando-a como se esperasse algo. 
   Claudia tentou levantar, mas a costela doía, saia sangue entre suas pernas, quando ela sentiu uma dor gritante de sua barriga, via que algo estava empurrando sua barriga de dentro pra fora, se parecia com um rosto, a dor tirava suas forças, a dor a fazia torcer os dedos dos pés, arranhar o chão com os dedos que sangravam sem parar, pois as unhas tinham sido arrancadas logo na primeira tentativa da coisa de sair de sua barriga. Ela olhava aquele monstro sentado, rindo, admirado com o que acontecia. 
   Ela sentiu que algo iria sair por sua vagina, ela fez um grande esforça para levantar um pouco e olhar o que acontecia, e viu uma gosma preta saindo de dentro dela, uma gosma preta e fedida, o cheiro de queimado era maior, ela sentia que pegava fogo por dentro. Uma mão enorme saiu de dentro de sua vagina e a dor a fez conseguir gritar, a dor era lancinante, ela urrava, era apenas para isso que força lhe permitia, gritar. 
   Alguma coisa estava saindo de dentro dela, e rasgando sua vagina por dentro, abrindo caminho forçado, pondo a mão direita, depois a esquerda, a cabeça, e estava fora de Claudia algo mais horrível que o monstro que a machucara antes, este havia saído apenas até a cintura. Olhava para Claudia com ferocidade, o ódio em seus olhos faziam-na ver tudo girar. Até que ele saiu de dentro dela. A pegou pelo pescoço, a levou para a cozinha e a jogou em cima da mesa. Começou a devora-lá, a bater nela, arrancou o seio e enterrou as garras em seu coração. Olhou para o lado e viu o primeiro monstro sorrindo. 
      
2

   Claudia deu um grito e notou que ela mesma estava na janela olhando Joe na calçada indo ao mercado. Não entendeu o que havia acontecido. Até que virou, lembrando da comida do cachorro. E foi mais uma vez atacada. 

3

   Joe acordou suando, lembrando do sonho que tivera com a tia. Snow estava na cama, olhando para ele. 
- Aquilo não aconteceu com ela, ela foi sim estuprada, mas depois de ter sua garganta cortada, eu vi o corpo dela. Nada disso que sonhei aconteceu!
- Pequeno Joe. O que você e os outros viram, foi o que nós quisemos que vissem. Eu te mostrei o que aconteceu com ela na noite passada, e o que vai acontecer com ela por toda a eternidade! - Disse a voz do cachorro.
- Então ela está no inferno? E ela vai ficar daquele jeito pra sempre?
- Isso mesmo. Sua tia é uma pecadora, e eu busco os pecadores. Seus pais e sua irmã são pecadores, você é um pecador. 
- Mas não os quero no inferno, nunca quis!
- Mas eu e meus irmãos queremos. Joe, são três e quinze da manhã, não vai dormir?

   Joe olhou para o relógio e realmente ainda era aquele horário, não havia se passado nenhum minuto desde que tivera apagado e sonhado. 

- Esse tempo todo não passou?
- No inferno, o tempo não passa, você estava na minha casa vendo a sua tia. Logo verá toda sua família lá!

A porta do quarto se abriu, e era Samantha.

- Vista-se, Joe. Temos que ir  ao cemitério. 

   Quando a mãe entrou, tudo estava normal, as horas no relógio deram um salto, antes eram três e quinze da manhã, agora eram quatorze e trinta. 
   Joe estava no banho quando viu pelo vidro embaçado a figura de alguém, quando abriu o box, era sua tia, em pé, pálida, fitando-o.

- Joe. Por que está me olhando assim? Estou feia? Você ainda me deseja? Venha Joe! Venha Joe! - a voz de Claudia foi mudando, até ficar em uma voz demoníaca. Não era sua tia. - Venha seu bastardo filho da puta!
- Não! - tentou gritar Joe, e caiu. Batendo a cabeça.

   Joe acordou com a mãe batendo na porta do banheiro dizendo que já estavam atrasados e que seu pai estava nervoso e que não deixasse para sair com a ajuda de Bryan. 
   Joe se levantou, desligou o chuveiro, foi até o espelho e viu algo diferente em seu reflexo. Foi se aproximando e apareceu o rosto de sua tia morta, era apenas a cabeça sendo segurada por uma mão grotesca. Joe pulou para trás, a respiração forte. Quando olhou de novo para o espelho, era apenas o seu reflexo. 

4

   Joe desceu as escadas e foram todos para o cemitério, o caixão estava lacrado e uma foto estava em cima do caixão.

- Por que o caixão está lacrado? - sussurrou Joe para Carol.
- Porque ela apanhou bastante no rosto, morderam e arrancaram suas bochechas. Você não viu isso, Joe?
- Acho que sim... - e realmente viu, viu de camarote o que prepararam pra ela lá no inferno. 

   O funeral foi de forma rápida a pedido de Bryan, pois queria fazer logo a cerimônia de cremação, e terminar com tudo aquilo. Era hora de realmente se despedir de sua irmã, e iria caçar com todas as forças aquele que matara sua única família.

- Juro por Deus que vou caçar até no inferno esse desgraçado! - Disse Bryan enquanto segurava o receptáculo em que estavam as cinzas de Claudia.
- Eu sei, querido. Eu sei. - Disse Samantha.

5

- Olá, Bryan! 

   Bryan abriu os olhos e viu Snow em cima da cama. Bryan engoliu a seco enquanto tentava raciocinar aquelas palavras. Cutucou Samantha, ela acordou e olhou para o marido que estava acordado e olhava assustado para frente, ela seguiu os olhos do marido e viu apenas o cachorro. 

- Olá, Samantha!

   Samantha olhou para Snow e entendia o terror nos olhos do marido. 

- Que merda é você? - Disse Bryan.
- Eu? Sou aquele que adora o medo nas pessoas. Amo, para ser mais exato. - Ele foi crescendo, se transformando.

   Quando atingiu sua verdadeira forma, gritou para o casal:

- Agora me respondam: Que horas são?

   As portas e janelas da casa se abriram, o alarme disparou, todas as camas da casa tremeram.

- Mais uma vez: Quantas horas são?

   Bryan olhou para o relógio ao lado, e marcava exatamente: 03:15 a.m.

Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
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