Amor de Carnaval

     Era um dia ensolarado, daqueles dignos de verão, as ladeiras de Olinda ferviam de pessoas dançando frevo e maracatu, gente de todas as partes do mundo em uma só mistura: carnaval, e enfim, a época mais aguardada do ano chegara. Trazendo consigo aquela emoção única de sentir as alfaias¹ tocando tão forte que a vibração é sentida no peito, é algo difícil de explicar, é sangue de Pernambuco correndo nas veias. Enquanto eu encontrava uma paixão em cada esquina, sentindo o calor dos corpos, cheiros, beijos e amassos que não duravam mais que alguns minutos, apenas encontros efêmeros e únicos. No mesmo tempo em que as ruas pareciam exalar a história e a magia do lugar, em meio a milhares de rostos, corpos se esbarrando aqui e ali, eu a vi! Um pouco longe, precisei fechar meus olhos algumas vezes para saber se a beleza que eu vislumbrara era real ou somente criação da quantia de álcool já ingerida, mas ela continuava lá, prestando atenção nas troças² que passavam, enquanto meu coração palpitava e ansiava por meras palavras que fossem com ela, foi diferente, pois não quis somente beijá-la e sim desvendar seu encanto, em meio tempo seu olhar encontrou o meu. 



     A palavra ‘carnaval’ tem origem grega³, mas a deusa realmente ali era ela, não me restam dúvidas que Afrodite sentiu inveja de sua beleza, com seu corpo bronzeado pelo sol ardente, esbanjava sensualidade e era dona de um dos sorrisos mais lindos que meus olhos já tiveram o prazer de observar. No momento em que todos festejavam quem realmente pulava de alegria era meu coração bandido, encantado com a moça a sua frente, e pensando na sorte que teve ao encontrá-la, fui ao seu encontro. Linda morena fazendo juz ao lugar, ‘ó linda’! A troca de olhares foi cheia de intenções, não bastou muito para nos beijarmos, jamais esquecerei a música que tocava ao fundo: ‘morena tropicana eu quero teu sabor’ acredito que não existia música melhor para descrever o momento. E assim eu provei de sua saliva doce igual meu de uruçu, e foi o melhor beijo que meus lábios já provaram, foi demorado, doce, quente e parece que tudo ficou silencioso ao nosso redor, igual aquelas cenas de filme onde dois apaixonados se beijam e todos olham ao redor, mas não tivemos plateia, não precisamos. O beijo foi nossa forma de comunicação e nesse momento senti que o mundo girou mais devagar. Com a mesma intensidade e rapidez que chegou, ela partiu.  Não trocamos nome, nem telefone, muito menos promessas de nos encontrarmos depois, e assim como meus dias de folia, ela se foi, em plena quarta-feira de cinzas, pude sentir que meu peito mal conseguia esperar para o próximo carnaval.
¹. Tambor usado no Maracatu.
². Brincadeira nascida de uma reunião entre amigos com figuras de frente, passistas, fantasias, entre outros.
³. Terá tido a sua origem na Grécia em meados dos anos 600 a 520 a.C.

Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
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