Jovem - Ainda dá tempo

JOVEM
Original de: Anderson Rodrigues

     Em meio a tanto barulho, eu permanecia calado.
     Olhava ao meu redor e via as pessoas repetindo seus passos, sorrisos, falsos? Todos levantando às sete da manhã para mais um dia em seu inferno particular. Tentava notar em seus rostos algo que indicasse a felicidade que suas vidas tomaram. Mas por mais que tentasse, eu não via o que procurara. A rotina tomou conta de suas vidas, e isso me assusta.
   Tenho medo de seguir o mesmo caminho que a grande maioria. Sempre me dizia "você é diferente!", mas ultimamente me vejo igual a todos esses que observo. Imagino que todos seguiram por um caminho onde tiveram que surpreender a todos, mostrar que estavam tentando, e no fim acabaram falhando consigo mesmo. Seguiram pela carreira que não quiseram; tiveram filhos no momento em que construíam seu futuro, mas abriram mão; pararam de buscar seus sonhos pelos sonhos de outra pessoa. Essas ainda não se encontraram, e provavelmente, jamais irão se encontrar. Tenho medo de estar seguindo pelo mesmo rumo.
     Às vezes me sinto invalido. Às vezes me sinto perdido em meio a tantos sonhos e desejos. Tantos planos para praticar, mas me sinto estagnado. Estou realmente no caminho errado, mas não sei se ainda tenho tempo para voltar e ir na direção certa, e se tenho tempo, me falta coragem de enfrentar todos aqueles que iriam me julgar. Em muitos aspectos estou feliz, mas quando penso em futuro de carreira, ou qualquer um plano futuro que seja, não me sinto tão feliz assim. Realização pode estar escondido no escuro, e só eu, apenas eu, pode acender a luz e encontrá-la. Tenho medo de não ser feliz.
    Meu maior sonho quando criança, não era ser médico, não era ser advogado, ou construir uma carreira de sucesso. Eu apenas desejava ser feliz, e mesmo que precisasse passar por cima de tudo e de todos, eu iria atrás da minha felicidade. Penso no que ficou desse desejo. Ainda quero ser feliz, por mais que eu seja uma pessoa triste. É triste não saber o que quer. É triste sonhar e não realizar. É triste pensar no que quer ser, e não saber. É triste ser triste.
    Esse círculo vicioso que me prendi, me faz pensar em cada momento de minha vida, as mentiras que contei, os sorrisos que roubei, os segredos que guardei. Guardei tudo para mim, e quase não aguento de tanta pressão e tormento. O turbilhão de ideias que tenho me congela, e me faz observar a perda de tempo que tenho. Sou uma mente perturbada, talvez brilhante, com ideias e ideais que mudariam tudo. Mas ainda sim, brilhante.
     Eu quero ser alguém, mas ainda não sei quem.
   Jovem, bicho do mato, que se tranca em quarto escuro, se escondendo e com medo do mundo, aonde você quer chegar? Cortes cada vez mais fundos nem sempre vão funcionar,
sempre soube disso. Os cortes ficaram no passado, você superou. Mas a tristeza de ser quem é, e o medo de não ser o que sempre sonhou, acabam com você.
    
    Eu quero ser alguém, diferente do que (agora) sou. Ainda dá tempo!



Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
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