Meia Lua, Meia Noite

Meia Lua, Meia Noite

Original de: Anderson Rodrigues

      Nessa noite a lua se esconde, nem os amantes mais apaixonados se envolverão a luz do luar. Tudo foi esquecido, a beleza da noite fria e escura já não existe mais. As histórias das quais sonhávamos são agora lembranças d
e um passado esquecido. Sexo a dois me interessa tanto quanto ficar parado no parapeito e observar o caos que se passa logo abaixo dos meus pés.
      A turbulência constante em minha vida, e também em meus pensamentos, me fazem refletir sobre algo que não sou, não fui e nem quero ser. Talvez eu ainda nem saiba o que “ser” significa. A vida implica com muitos, apenas por muitos não saberem o que é a vida. Eu me encaro todos os dias no espelho, me perguntando o que seria ser sem saber existir.
     Enquanto observo o mundo ao meu redor, ela está deitada ao meu lado, com seu corpo livre de panos, de velhos trapos qualquer. Minha mão descansa em seu seio descoberto, ela dorme e não nota a minha presença, talvez ela nunca tenha notado de fato, me pergunto se causo nela a mesma necessidade que ela me causa, a mesma vontade, se ainda faço parte de seus planos. Me pergunto se ela ainda me ama como eu a amo. Se ela me deseja como eu a desejo. Se ainda ficaremos juntos pelos próximos vinte anos.
     Queria tocar teu sexo, mas a vontade de mim escapa, não explodo a necessidade de querer tornar-me um com ela. Embora eu queira, não transmito, e ela também não. Mas desejo eu tenho, tocar a mim mesmo pensando nela é um ritual. Mas claro, imaginação não mata a necessidade e vontade de ninguém. Contraditório, não?
      Persigo a vontade de ser, de querer mostrar ao mundo tudo o que eu sou, embora aparentemente eu não seja nada. Mas talvez para ela, eu seja alguém que valha ser gasto tempo. Embora comigo, não há tempo gasto quando estou com ela, e sim, falta!
   Nessa noite, o céu está pesado, nuvens densas cobrem o lar, observo atentamente a beleza escondida, toco o mundo com dois dedos, observo inerte seu corpo vibrar, minha boca molhar, suas pernas entrelaçar a minha, me olhar com olhos atentos, sorrir seu sempre belo riso. Beijar tua boca, invadir teu espaço da cama, morder tua pele, sussurrar em teus ouvidos, molhar a cama. Invadir teu olhar com o meu perdido. Experimentar o fruto proibido, e esse já sabemos qual foi!
     Acordo do sonho, acordo com sono, sorrindo desesperado porque não queria ter acordado, olhar para o lado e vê-la coberta enquanto eu estou rígido seguro por minhas mãos. Levanto quase caindo, sorrindo por ter vivido algo vívido, e chorar no banheiro, junto à chuva que cai no dia cinzento e frio, o gozo perdido.
     Queria que derramasse em minha boca o mel que tens entre as pernas, mulher. Queria deixar de sonhar. Quero noites quentes em dias frios. Aqui, sempre haverá um homem sedento pelo sexo de sua mulher. Sempre. Para sempre!


Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
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