O Prédio, O Quarto e Erick | Resenha

Fala galera! Eu sou Iago Victor e trago a vocês hoje a resenha de mais um livro da nossa querida Chiado Editora. Hoje vamos falar sobre a obra da autora 

Monica Bokel Conceição:
O Prédio, O Quarto e Erick

   Como de costume, apresento inicialmente a sinopse da obra, fornecida pela editora e pela autora, para em seguida acrescentar minha crítica. Sobre a obra:
   Discutir algumas das inúmeras formas de reclusão. Esse é o mote do livro O Prédio, O Quarto e Erick, de Monica Bokel Conceição. Em seu terceiro livro, o primeiro de contos, são narradas três histórias independentes (que dão nome ao livro), com personagens e cenários particulares e que, em comum, tem como pano de fundo o enclausuramento.
   “Poesia vem da alma. Como o mundo está muito sofrido, vejo que escrever sobre esse sofrimento a inspiração foge; contrariando a todos que é no sofrimento que criamos. Por isso parti para os contos, são personagens que fazem parte do meu universo há muitos anos ”, explica ela. E a fluidez da narrativa empregada por Monica faz com que o leitor enxergue cada cena das histórias criadas em seu universo onírico.
   A primeira se passa na Cracolândia, centro da capital paulista, onde se localiza um prédio que encantou um jovem estudante vindo do interior do estado. Ele fica intrigado com a história do edifício 125. Ao mesmo tempo em que tenta decifrá-la, descobre uma história de amor que envolve o prédio onde mora, simultaneamente com a sua própria vida amorosa. Já O Quarto se passa no Rio de Janeiro, num casarão antigo no Jardim Botânico. Duas amigas contam essa história, que fala sobre a proprietária e avó de uma delas, suas culpas e inseguranças que fizeram-na ficar enclausurada em seu quarto por mais de 30 anos. Para fechar, Erick trata de um menino que, ao sofrer um grave acidente, é abandonado pela família por questões financeiras. Assim, ele acaba passando anos no hospital em Santa Teresa, no Rio, onde descobre o amor, o abandono e a escolha pela felicidade.
   Segundo Dante Gallian, professor e doutor, à frente do Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde da UNIFESP, que assina o prefácio desse título: “Monica retoma o eterno drama hamletiano de uma forma toda própria, recriada num contexto novo, próximo e familiar do leitor contemporâneo”.
   Sua escrita fluída conquista, envolve e encanta o leitor.

 Dito isso, vamos à minha crítica e opinião a respeito do livro:

  Por ser um estudioso classicista, tenho certo receio quando vejo alguém comparar o estilo de algum escritor contemporâneo com a estética de algum escritor clássico, e esse receio não se dá pelo fetiche do original, mas sim porque ao comparar dois escritores você acaba ferindo o talento de ambos, ao menos a meu ver.
  Quando li o prefácio de Gallian, colega da Universidade Federal de São Paulo, me senti intrigado, pois era um estudioso a comparar o drama hamletiano com a escrita dessa nova autora cujo trabalho ainda não conhecia.
   Assumo que, durante minha leitura, pude concordar com a visão de Gallian. Monica conseguiu, da sua forma, conceder à sua escrita um tom hamletiano que poucos autores na atualidade conseguem, e isso já é algo impressionante. Além disso, no decorrer da história, em especial a primeira (O Prédio) você é tomado pela narrativa de um personagem que pouco sabe de si e que pouco conhece do mundo, sendo conduzido através dos olhos do personagem à descoberta de toda a trama que envolve o local onde ele recém se instalara. Para mim, o ápice do drama Hamletiano se dá na confissão velada de Dona Chiquita e o silêncio (in)voluntário do protagonista a respeito de uma mulher viciada em drogas, além das diversas referências feitas a literatura brasileira e a literatura estrangeira. De fato, para mim, é a melhor das histórias.
   O segundo conto, O Quarto, foi o que menos me atraiu, talvez por conta da narrativa dinâmica e ao mesmo tempo densa de sua composição. O conto é ótimo, porém não prendeu minha atenção como o primeiro e o último.
   Por fim, o último conto (Erick) narra a história de um garoto em estado quase terminal e que, apesar disso, mantinha-se otimista e contagiava todos no hospital. Para mim, o drama citado por Gallian retorna nesse conto na relação entre a pequena bailarina, Erick e a voluntária que atuava no hospital.

   Se você deseja um livro com reviravoltas, altos e baixos emocionais, múltiplos estilos de narrativa e desfechos imprevisíveis, recomendo fortemente a obra da Monica Bokel Conceição.

Um grande abraço e até breve o/

Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
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