No. 1643 | Resenha

Fala galera! Depois de muito tempo e um longo período universitário de especialização eu volto aqui nessa bela tarde de fim de junho para trazer para vocês a resenha de mais um maravilhoso livro recebido pela nossa parceria com a Chiado Editora:

De Fochetto Jr...
Nº 1643

"Que língua é essa, que tornada escrita, registro literário, continua ecoando em nossa mente, em nosso coração? Que se descortina sem se deixar ouvir por completo? Que papo é esse? Que língua é essa? Que história é essa? Onde se passa? Em que ano?"

   É com essa citação de Fochetto Jr que eu começo a resenha a respeito dessa obra que demandou de mim três leituras, minuciosas e repleta de apontamentos, para decifrar a história por trás do famigerado No. 1643. Já destaco desde o início que ao me deparar com uma Advertência (assim nomeada pelo autor) de que o livro foi escrito em 2011 e que  passado um tempo desde a escrita original ele desejava alterar algumas coisas, mas não o fez em nome da experiência da escrita daquele período (o que concordo totalmente) eu me senti preso num enigma. Seria esse um tratado de não modificação da escrita em razão da experiência vivida no processo dela própria? É algo a se pensar.
   De qualquer forma, o que nos cabe agora é a história. No. 1643 narra a história de uma mulher sem nome que passa a fazer parte de um cenário que, em sua visão, é habitado por um fantasma de uma antiga proprietária e que fez parte da vida daquele sujeito que lhe concedeu permissão de entrar naquele local. A história, que possui uma narrativa entrecortada, cheia de solavancos estéticos, faz com que o autor experimente a definição mais completa que achei até hoje do conceito de Leitor Real, pois faz com que de fato o leitor adentre ao imaginário da personagem e comece a divagar tanto quanto ela a respeito da trama confusa que é desenvolvida.
   A frase que define o livro e a protagonista, para mim, é a encontrada na página 29 desta edição, que diz: "Sim! Somos livres!", concluíram após tanto conversarem. "Mas... O que fazer com essa nossa liberdade?" "Ir além", disse alguém entre eles. "Ótimo! 'Além' para onde?"

  É justamente essa frase que define para mim o desenrolar da história. Para onde vai essa personagem ruiva que desconhecemos a história? Para além de que parte de sua vida ela está indo? O que ela busca naquela casa repleta de espíritos e objetos nostálgicos além da escrita que está desenvolvendo dentro daquelas paredes? Ainda, como uma escrita que não apresenta fluidez escancarada entre prosa e poesia consegue prender um leitor ao ponto dele tentar a todo custo decifrar os códigos escondidos nas páginas?

   Quer desvendar esse enigma? Então não deixe de ler "No. 1643", de Fochetto Jr, disponível na Chiado Editora!

Um pouco sobre o autor:
  Wellington Vinícius Fochetto Junior nasceu em janeiro de 1977, em Mogi das Cruzes, São Paulo. Bacharel em Publicidade e Propaganda (Universidade Braz Cubas, 2001). Licenciado em Letras – Português (Centro Universitário Claretiano, 2007) e Especialista em Saberes e Práticas em Língua Portuguesa (AVM Faculdade Integrada, 2014). Leciona Língua Portuguesa no Ensino Fundamental II, na Rede Municipal em Poá, SP, onde reside desde que nasceu.   Participa da Coletânea Alma de Poeta (São Paulo: Beco dos Poetas e Escritores, 2015). É, ainda, o autor dos livros Concresia (Poesia concreta e visual em quatro volumes), Uni-Verso (poesia, livro-objeto), Lugar Incomum: Acrônicas (crônicas), Naked Crunch – Almoço Cru (poesia), Stardust On The Edge Of The World (poesia), Book do Bréki-Bróko & Blanc Bloc Book (poesia em dois volumes distintos; livros-objeto), Livro para descolorir (poesia), (des)pontos (poesia), da HQ Poético-filosófica A-Maze-In e do fanzine Poelivre (poesia).
Espero que vocês tenham gostado!

Até a próxima!

Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
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1 comentários:

  1. Impossível não ficar fixado, obcecado por esse blog. Sou fissurado pelas resenhas de vocês.
    Parabéns pelo talento, por produzirem resenhas tão bem escritas, tão bem pensadas, sempre extraindo o melhor de cada livro. Esse blog é o máximo! No mínimo, no mínimo, o máximo!!!

    Um abraço deste fã, Dieison Engroff. Rio Grande do Sul.

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