O Imediatismo de Viver

Por Anderson Rodrigues

   O imediatismo de viver nos torna reféns de nós mesmos. Movidos por impulsos, deixamos de lado aquilo que seria certo se fazer. A vida é frágil, nosso espírito muito mais. Quando deixamos de notar as cores da vida, o sentido que ela vêm tentando tomar, nos perdemos e nos sentimos deslocados, somos jogados a esmo no nosso próprio julgamento. O brilho no olhar às vezes fica perdido no meio de tanto tormento, os pensamentos se tornam inalcançáveis, as palavras se tornam inaudíveis. O sentido deixa de ser claro.
Resultado de imagem para imediatismo  A gente corre, tenta disfarçar, mas nos sentimos sós. Tentamos no nosso momento recobrar a consciência, colocar as coisas no lugar, avistar no além do horizonte o sentido que devemos seguir. Avistar o sentido que a vida está nos empurrando. Tentamos não nos abater, não mostrar fraqueza. Tentar não cair, mas se for ao chão, levantar de cabeça erguida. Mas às vezes é difícil. O imediatismo nos torna frágil. Tudo tem que ser rápido, o mundo continua girando em meio ao abismo que às vezes estamos presos. O bem maior, o amor próprio, deixou de ser algo que se possa tocar, e sentir. Você deixa de existir, deixa de ver, deixa de viver, e passa a ser algo que nunca quis apenas para mostrar um sorriso que não tem.
   Em algum momento cansamos de ser o que tentamos ser, cansamos de mostrar o sorriso, cansamos de esconder o mesmo olhar, cansamos de correr na direção contrária àquilo que realmente nos revela. Às vezes não estamos preparados para o mundo, como o mundo não está preparado para nós. Os julgamentos, os dedos apontados, as vidas aparentemente perfeitas daqueles que te olham de cima. Tudo isso para muitos em algum momento te destrói por completo. O mundo já não tem mais importância, o real torna-se uma cena abstrata. A dor não tem mais zona de fuga. O medo te olha enquanto os olhos te encaram no espelho. Você não se entende, você não sabe. Você não sente.
   Quando sentimos de forma diferente o mundo, tudo incomoda. Você se sente sobrecarregado, se sente culpado; você se isola. Você se joga no chão querendo que tudo pare, mas o mundo continua girando, e você se sente alheio a tudo isso e tenta ver seu lugar no mundo: “Talvez o mundo fosse bom!”.
   Entregamo-nos a esmo e tentamos estabelecer o equilíbrio, perdoar a nós mesmos. Entender ‘As Quatro Nobres Verdades’, entregar nosso sentido de forma sábia, para que não caiamos em nossa própria armadilha. Mas independente do caminho tomado, das escolhas feitas, no fim, teremos nosso descanso!

Sobre Fixação Literária

Fixação LiteráriaSomos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação. Créditos imagem - Mell Galli
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